É comum ouvir de tucanos e dos demos de que o candidato do PSDB ao governo do Estado, Wilson Santos, vai virar o "jogo" em cima do governador Silval Barbosa (PMDB), candidato a reeleição, nos debates que irão acontecer no decorrer da campanha dessas eleições. O Galinho, como é chamado, também acredita nisso e, numa reunião com lideranças de sua coligação, tranquilizou a todos pelo fato de estar despencando nas pesquisas (só ganha na feita pela Antecipar Consultoria), dizendo que vai "destruir" o chefe do executivo estadual nos confrontos, especialmente, nas TV's.
Com "ego" na estratosfera, Wilson Santos acredita piamente de que é "bam-bam" de Mato Grosso no que se refere a oratória. Pode até ser, mas o povo está "cheio" de tantas mentiras e falsas promessas da classe polí¬tica. Não é a toa de que é chamado de "Pinóquio", especialmente na periferia de Cuiabá, onde não cumpriu nem a metade das promessas que fez durante as campanhas de 2004 e 2008.
O asfalto prometido não foi implantado e a universalização da água parou na incompetência e na propaganda. Mesmo com a inauguração da duplicação da ETA/Tijucal a grande maioria da população cuiabana continua recebendo a água de forma irregular. É que a Prefeitura não construiu as adutoras necessárias para levar a água aos bairros. Para justificar a incompetência, tenta jogar culpa no Ministério das Cidades de que não teria liberado os recursos para a obra. Tudo ladainha.
Em 2004, tentando vender incompetência da administração passada, prometeu elevar as arrecadações de ISSQN e IPTU. Wilson Santos assegurou que iria fazer, se eleito, a receita do ISSQN ser igual de Vitória (ES) e do IPTU a de Campo Grande (MS). No primeiro, precisaria trazer o porto de Tubarão para Cuiabá, já que é por lá que a Vale do Rio Doce exporta o minério de ferro e, segundo, triplicar a alí¬quota do imposto predial. Os campo-grandenses pagam 1,2%, enquanto os cuiabanos 0,4%.
É lógico que, depois de 5 anos de Santos, nenhuma dessas duas promessas foram cumpridas. Ele bem que tentou aumentar o IPTU, mas esbarrou na resistência popular. Antes de deixar a Prefeitura, numa campanha publicitária, anunciou que havia cumprido várias promessas de campanha. A primeira a Avenida das Torres. É verdade que executou a obra (ainda que ficado inacabada) com recursos federais, estaduais e municipais. Mas não fez justiça ao esquecer de citar o autor da idéia da obra, que foi de Raul Bulhões Spinelli, quando era diretor do IPDU na gestão Roberto França.
Ampliação da ETA/Tijucal. O projeto também não é da sua autoria. Um estudo, se não me engano da UFMT, não recomendava a sua execução, porque o rio Coxipó tem muitos afluentes termitentes (na época da estiagem seca) e, por isso, dentro de mais alguns anos não teria vazão para atender a estação de tratamento. Estranhamente, nenhum órgão ambientalista se manifestou contra, talvez, por alguns de seus diretores viraram funcionários da Prefeitura.
E, hoje, apesar da ETA não estar funcionando com toda a sua capacidade, existe uma barragem no local para represar ás águas do Coxipó. A Promotoria do Meio Ambiente sempre fez vistas grossas ao fato. De todo modo, apesar de toda publicidade, a estação continua funcionando "meia boca", enquanto a população sofre com a falta de água. Ou seja: a propaganda não levou água para as torneiras da casa.
A construção da policlí¬nica do Pedro 90. O ex-secretário de Saúde Luiz Soares sempre foi contra a obra. Por teimosia, Wilson Santos mandou construí-la. Em verdade, a policlínica é mais um "postão" do que é denominada. Passaram mel na boca dos moradores do Pedra 90.
Mas de todas as promessas não cumpridas, Wilson Santos vai ter que explicar, durante a campanha, porque não ficou até o dia 31 de dezembro de 2012 no comando de Cuiabá como fez compromisso nas eleições de 2008. Para derrotar Mauro Mendes, hoje também candidato ao governo do Estado, ele foi a TV e jurou que ficaria até o fim do segundo mandato. Ganhou, mas não cumpriu.
Na era da Internet, a mentira tem, literalmente, "pernas curtas", inclusive, na política. Hoje com a informação instantânea, os candidatos "pinóquios" vão ter grandes dificuldades, porque não se pode mais, como antigamente, mentir numa região e inventar na outra, enganando o eleitor.
Auro Ida é jornalista em Cuiabá