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Publicado em 20 de outubro de 2011 | 8:25 | DA REDAÇÃO COM G1

Kadhafi é preso e está ferido, dizem chefes militares do novo governo líbio

Imagem de Muammar Kadhafi mostrada pela TV líbia durante um de seus discursos em 1º de agosto, em uma de suas últimas aparições (Foto: AFP)

O ex-ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, foi preso e está ferido em ambas as pernas, gravemente, informaram nesta quinta-feira (20/10) fontes militares do novo governo do país. Também há relatos, não confirmados, de que Kadhafi estaria morto.

A informação sobre a prisão do ex-ditador foi inicialmente confirmada por Abdel Majid, chefe militar dos ex-rebeldes líbios na capital, Trípoli.

“Ele foi capturado. Ele está ferido em ambas as pernas… Ele foi levado de ambulância”, disse o militar à agência Reuters, por telefone. Outro comandante rebelde, Mohamed Leith, disse à France Presse que viu Kadhafi “com seus próprios olhos” e que o coronel está “gravemente ferido”, mas “ainda respira”.

Kadhafi teria sido preso próximo à sua cidade-natal, Sirte, em um comboio que sofria ataque aéreo da Otan enquanto tentava fugir. A cidade, último foco de resistência dos combatentes kadhafistas, havia sido tomada definitivamente pelos rebeldes nesta quinta-feira.

A TV Líbia Livre disse que também foram presos Muatassim, um dos filhos do coronel, além de Mansur Dau e Abdala Senusi, dos serviços de inteligência.

Um combatente do novo governo líbio, ouvido pela Reuters, disse que Kadhafi estava escondido em um buraco, e teria gritado “Não atire! Não atire!” ao ser descoberto.

Otan e EUA não confirmam

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e o Departamento de Estado dos EUA ainda não confirmavam a prisão. Mas os rebeldes e a população já comemoravam a notícia nas ruas das principais cidades líbias.

A Otan afirmou que ainda “levaria tempo” para checar as informações. “O Departamento de Estado não pode, neste momento, confirmar as notícias da imprensa sobre a captura ou morte de Muamar Kadhafi”, declarou a porta-voz da diplomacia americana, Victoria Nuland.

O ex-ministro de Defesa do regime deposto, Abubakr Yunes Jaber, morreu em Sirte, disse à France Presse o médico Abdu Rauf.

Mustava Abdel Jalil, chefe do CNT, deve fazer um pronunciamento na TV em breve, segundo a TV Líbia Livre.

Desaparecido

Kadhafi, derrubado após a tomada de Trípoli no fim de agosto, estava desaparecido desde então, tentando reagir as tropas do Conselho Nacional de Transição, órgão político da rebelião líbia, que tenta reorganizar o país na transição para a democracia.

Bani Walid, outro reduto kadhafista, caiu na segunda-feira.

 

O destino de Kadhafi, se confirmada a prisão, é incerto. Ele é procurado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia, da ONU, por crimes contra a humanidade cometidos durante a repressão aos rebeldes.

Mas o CNT já falou, em várias ocasiões, que pretendia levar o coronel e seus aliados a julgamento no próprio país.

Iniciada em meados de fevereiro na cidade de Benghazi, a rebelião contra o ex-ditador colocou a Líbia em uma violenta guerra civil e em crise humanitária.

A rebelião contra Kadhafi começou no contexto da chamada Primavera Árabe, que também derrubou governos na Tunísia e no Egito e abala atualmente os regimes ditatoriais no Iêmen e na Síria.

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