Sebastian Vettel, o carro e o porto de Valência: passeio no GP da Europa neste domingo (Foto: Getty Images)

Nos cinco quilômetros e meio de pista, só ele e o carro. Da zebra para fora, a beleza do porto, o luxo dos iates, a imponência dos navios, o charme das casas. Ao longo de 57 voltas neste domingo, Sebastian Vettel não teve tempo para apreciar a paisagem da cidade espanhola de Valência. Da largada na pole position até a bandeirada final, o alemão se concentrou na missão solitária que vem repetindo em média a cada duas semanas: guiar sua RBR para a vitória. No GP da Europa, de ponta a ponta, ninguém o incomodou. Tédio? Não para o líder da temporada.

Olhando de fora, pareceu uma corrida entediante, mas vou te falar: eu adoro quando somos apenas eu e o carro em cada uma das voltas. Não tive disputas ou alguém para brigar por posição, mas pilotei contra mim e meu carro, e com os caras sempre ali, um segundo e meio a três segundos atrás de mim. Então me diverti muito – conta Vettel, que venceu pela sexta vez em oito corridas no campeonato deste ano.

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A explicação foi logo a primeira que ele deu na entrevista coletiva após a prova. Tem sido essa sua rotina: conquistar a pole, vencer a corrida procurar algo novo para dizer aos jornalistas. Na etapa anterior, sob a chuva canadense, o hábito foi quebrado graças a um erro já nas últimas curvas, quando o inglês Jenson Button lhe roubou o triunfo. Nesta semana, tudo voltou ao normal na Espanha, com direito a céu azul e o sol do verão europeu.

A atmosfera estava lá desde sexta-feira, mas Vettel demorou um pouco para entrar no clima. Viu o local Fernando Alonso fazer o melhor tempo dos primeiros treinos livres e elogiou o espanhol: “É um ponto de referência”. Pronto. Depois da gentileza, só deu o alemão. Ele voou na sessão livre de sábado, cravou a pole no classificatório e liderou a corrida do início ao fim.

‘Parece Mônaco, só que mais relaxado’

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Se não dá para admirar a área portuária de Valência enquanto se está espremido num cockpit, as horas de folga estão aí para isso. Vettel compara a cidade espanhola ao principado de Mônaco, com a ressalva de que o agito não é tão intenso.

Eu gosto bastante de estar aqui. Não é minha casa, mas a atmosfera é especial. Parece um pouco com Mônaco, só que mais relaxado. Não é tão cheio, tão agitado, mas o clima é parecido. As arquibancadas estão sempre cheias de torcedores. É claro que Fernando atrai a maior parte desse apoio. Mas é ótimo estar na cidade, ali fora, nos arredores do porto. É um GP muito agradável, e foi um fim de semana perfeito – festeja.

A perfeição do fim de semana rendeu ao piloto da RBR uma confortável diferença de 77 pontos na liderança do campeonato, longe do alcance de Jenson Button e Mark Webber, que dividem o segundo lugar. A vantagem é tão grande que, se quisesse tirar férias nas próximas três corridas, ainda assim Vettel não correria o risco de perder o posto. Mas ele não quer saber de dar mole para os números.

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Nunca fui muito bom em matemática. Eu até gostava da matéria, mas não era bom. É claro que gosto de saber que estou na liderança do campeonato, mas realmente não ligo para a diferença de pontos. Além do mais, as pessoas vêm me falar de vez em quando sobre isso, então nem preciso conferir – explica.

É com esse pensamento que o piloto de 23 anos voltará às pistas no dia 10 de julho, para o GP da Inglaterra. Até lá terá feito 24 – o aniversário é no dia 3. Vettel não admite, mas já deve ter escolhido o presente: mais uma disputa entre ele e o carro, só os dois, de ponta a ponta.

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