Durante a metade de seus capítulos, Insensato Coração foi uma história sem mocinhos. Chegou-se a levantar a hipótese de um equívoco na escolha de Eriberto Leão e Paola Oliveira para viverem Pedro e Marina, o casal principal da história de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Agora, quase na reta final da trama, o que se percebe é que a estrutura romântica desenvolvida pelos autores demorou, mas finalmente foi estabelecida. Depois de muitos contratempos e pouquíssimas cenas dos dois juntos, já é possível acreditar na torcida por um final feliz típico de folhetins do horário nobre. Mesmo que a grande expectativa ainda esteja em cima da vingança da ressentida Norma sobre o malvado Léo, interpretações marcantes de Glória Pires e Gabriel Braga Nunes. Os dois personagens, aliás, se mantiveram como as grandes apostas desde o início e, até agora, não fizeram feio. Nem no que diz respeito ao texto e muito menos à atuação.

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Insensato Coração conta com diversos instrumentos para distrair o público enquanto o embate principal é costurado. E, nesse aspecto, merece atenção especial o destaque dado a Ana Lúcia Torre. A intérprete da irritante Tia Neném consegue aproveitar cada palavra de seu texto e é convincente atuando ao lado de qualquer nome do elenco. Mesmo em cenas na companhia de Natália do Vale, Deborah Evelyn e Antônio Fagundes, entre outros. Fagundes, aliás, parece estar satisfeito de um jeito que há tempos não se via na TV. Na pele do sensível Raul, revela uma construção que em nada remete a seus últimos personagens na televisão. Principalmente na delicadeza trabalhada em suas sequências com o filho Pedro e a amada Carol, papel de Camila Pitanga.

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Mas nem tudo é bem explorado na novela das 21h da Globo. A discussão sobre homofobia não só demorou a aparecer como também não recebeu, até agora, um bom espaço. É claro que não se deve esperar um acompanhamento didático em relação a assuntos sociais. Mas a impressão que ficou na época da estreia era de que esse seria um dos temas mais relevantes, tamanha quantidade de personagens gays que o folhetim apresentava. Mas o que se viu até agora foram pequenos comentários sobre o assunto. Principalmente na boca de Roni, vivido por Leonardo Miggiorin. Kleber, papel de Cássio Gabus Mendes, também passou um bom tempo encostado em conflitos dos outros. Uma pena, já que foi ele um dos personagens que mais sustentou a falta de um casal de mocinhos nos primeiros meses de trama.

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Constantemente na casa dos 40 pontos de média, a audiência de Insensato Coração não fica a dever às antecessoras. Mas esses índices ainda podem sofrer alterações. Principalmente para cima, já que a reta final das novelas quase sempre consegue números melhores. Fica uma lição a respeito da trama, prevista para se encerrar daqui a dois meses: movimentar os personagens principais a passos de tartaruga e contar principalmente com as histórias paralelas pode ser arriscado. E comprometer o resultado final.

Insensato Coração – Globo – Segunda a sábado, às 21h.

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