Foto: jornal da cidade

O alto custo dos insumos e a desvalorização no mercado, somados à queda de 40% na produção de leite neste início de entressafra do setor leiteiro e da pastagem, têm feito com que muitos produtores de vacas leiteiras em Mato Grosso deixem o segmento, em especial os pequenos.

O litro do leite pago ao produtor, em média, varia de R$ 0,70 a R$ 0,74 em Mato Grosso, o mesmo valor do custo operacional apenas com ração, medicamento, funcionários e combustível que o produtor possui. As informações são da Comissão de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato).

A expectativa do setor leiteiro é produzir em 2011 entre 700 e 750 milhões de litros de leite, o que a R$ 0,70 o litro deve gerar para os cerca de 60 mil produtores no Estado aproximadamente R$ 490 milhões.

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De acordo com o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Famato e presidente do Sindicato Rural de São José dos Quatro Marcos, Alessandro Casado, apesar do mau momento, Mato Grosso não corre o risco de desabastecimento interno de leite. “Estamos preocupados com a situação. Em São José dos Quatro Marcos a indústria está trabalhando já com 60% da sua capacidade.

O custo com insumos está alto e para completar, segundo o Conseleite do Paraná já informou, em agosto o litro do leite pago ao produtor terá queda de R$ 0,05, fato que irá contra a tendência nacional nesta entressafra que é de estabilidade”.

Casado comenta ainda que a Famato está preocupada com a situação, tanto que irá começar a fazer um levantamento da situação em Mato Grosso. “A possível demanda de produtores do setor em Mato Grosso pode vir a prejudicar a economia do Estado. Os mais afetados são os pequenos produtores”.

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Segundo o analista da Famato Carlos Augusto Zanata, hoje 35% do custo de produção do litro o leite é referente aos gastos com ração e sal. “A produção total do leite em 2011 depende da quantidade de ração dada à vaca. Se dá mais ração a produção é maior, caso contrário é menor. Em média cinco quilos por dia é dado de ração ao animal no período de safra, quando entra na entressafra é dado cerca de dois quilos por dia”.

Zanata acrescenta ainda que a situação vivenciada por Mato Grosso ocorre na verdade no Brasil todo. “A ração está cara porque leva milho e soja, e hoje eles estão com preços altos.

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Além disso, o produtor está tendo de adequar-se às novas regras da Instrução Normativa 51”, explica o analista, salientando ainda que em relação aos custos operacionais, como os que envolvem manutenção de currais e reforma de pastagem, o produtor não está tendo como bancar.

MERCOSUL

Segundo Casado, além destes fatores, os produtores de leite ainda têm a concorrência com os produtores do Mercosul. “O leite de Mato Grosso está competindo, mais precisamente o em pó que já fabricamos, com o do Chile, Argentina e Uruguai.

Enquanto o governo federal não barrar essa importação continuaremos sofrendo com a concorrência”. Hoje, além do leite longa vida e do leite em pó, Mato Grosso já produz leite condensado, iogurte, requeijão e queijos. “75% do leite produzido em Mato Grosso vira queijo mussarela”, comenta Zanata.

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