Foto: assessoria

Sessenta delegados estão com acúmulo de trabalho em Mato Grosso. Eles respondem por até 8 Delegacias de Polícia Civil e relatam a falta de estrutura que enfrentam todos os dias para atender as ocorrências a contento. O Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepo) denuncia o déficit de 200 delegados e reclama da demora no chamamento de mais servidores aprovados em concurso público. A elucidação de crimes fica comprometida, principalmente nos municípios da região Norte do Estado.

O trecho de 45 quilômetros de estrada entre Campo Verde (131 km ao sul da Capital) e Dom Aquino (166 km ao sul da Capital) é utilizado quase diariamente pelo delegado Fernando Spinelli. Nestas 2 cidades ele desempenha as funções de acompanhar ocorrências, coordenar investigações, autuar flagrantes, concluir inquéritos e, ainda, ser escrivão. Por um período de cerca de 2 meses este ano, Fernando diz ter ficado sem o único escrivão reservado para a unidade de Campo Verde. O servidor não foi reposto e ele teve que responder também por esta função.

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A exigência de uma “dobradinha” nas 2 cidades se agrava com a falta de um delegado em Campo Verde. Fernando diz ser difícil, porque diminui a celeridade na conclusão dos inquéritos. Ele destaca que a presença constante do delegado no município é importante, “porque se consegue absorver com mais facilidade os crimes, do que a distância”. Quando há 2 crimes ocorrendo simultaneamente entre as cidades, ele afirma ter que escolher um para poder acompanhar. Mas a situação ainda se torna confortável se comparada com outras cidades.

O presidente do Sindepo, Dirceu Vicente Lino, diz que na região de São Félix do Araguaia o problema se agrava. O acúmulo de delegacias é maior e é comum delegados responderem por 4 unidades. Na região de Cáceres (225 km a oeste da Capital), já houve autoridade policial com até 8 delegacias ao mesmo tempo. “É humanamente impossível, a Justiça imediata é o delegado. Como se isso fosse segurança pública”.

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A situação caótica da segurança pública do Estado é de longa data, afirma o investigador Juracy José da Silva. Em 2006, quando trabalhou na delegacia de Jaciara (144 km ao sul da Capital) ele diz que em 1 ano foram encaminhados somente desta unidade para o fórum 367 inquéritos policiais. Uma média de mais de 1 por dia. Ele destaca que não estão contabilizados os termos circunstanciados e os inquéritos desenvolvidos pelo delegado em Juscimeira (157 km ao sul da Capital), onde o delegado também responde.

Hoje, em Campo Verde, o investigador há 10 anos avalia que houve avanços somente na percepção da população em relação ao serviço de segurança prestado pelo Estado. As viaturas são adesivadas e os moradores vêem movimentação dos policiais. Mas, a impressão não condiz com a realidade, visto que há falta de efetivo e nem veículo descaracterizado para investigar. “O sistema está praticamente falido. O governo deveria baixar uma portaria informando não ter mais conta”.

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