O diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot (PR), entrega hoje a carta de demissão ao governo federal. A revelação foi feita pelo senador Blairo Maggi, do mesmo partido, considerado seu padrinho político. Com o destino político definido de forma oficial, o governo do Estado e a bancada federal se colocam em linha de enfrentamento, buscando amenizar os reflexos negativos à imagem de Mato Grosso provocados pelo escândalo.

Um dos alvos das denúncias sobre irregularidades em processos licitatórios, prática de corrupção e tráfico de influência que corroe a estrutura política do Ministério dos Transportes, o diretor, em férias, está na lista de demitidos validada pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT) e pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Carta de demissão, que teria sido confeccionada por ele ainda na sexta-feira, como informou a mídia nacional, reforça a tese de que Mato Grosso dificilmente conseguirá manter espaço na autarquia.

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A cúpula do PR tem reunião com Dilma nesta semana onde defenderá compensação sobre o episódio. Pagot, crivado de questionamentos postados em matérias veiculadas neste fim de semana, na imprensa nacional, poderá levantar novos capítulos sobre a novela que arrasta em torno da polêmica. Em tom de alerta, sugere de forma velada novas declarações. Conhecido por não ter pápas na língua e referência de “homem forte” do ex-governo Blairo Maggi, ele deverá se impor aos contratempos e conta com apoio de Maggi.

Ele sofre as consequencias de avalanche de denúncias sobre o setor. Matérias trazidas por jornais e revistas de âmbito nacional, ontem, remetem para novas acusações sobre práticas ilícitas que teriam contado com atuação do diretor. O jornal A Folha de São Paulo destacou quadro em que 15 das 23 superintendências do Dnit passam pelo crivo do Tribunal de Contas da União (TCU), com “indícios de corrupção”, além de superfaturamento de obras e fraudes em certames. Nesse contexto, Mato Grosso teria panorama desfavorável, sendo uma das unidades federativas com maior número de irregularidades. Estados como Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro também fazem parte da lista do TCU.

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O jornal O Globo ressalta em matéria do domingo que o diretor-geral do Dnit teria arquivado denúncias realizadas por concorrentes em processos licitatórios, contra vencedora de contratos, a Tech Mix, empresa que manteria bom relacionamento com Pagot. Conforme a reportagem, ele teria ignorado a denúncia de fraude no certame para “beneficiar empresa amiga”. O aviso à ele teria ocorrido em outubro de 2010, mas Pagot teria mesmo assim ordenado o pregão eletrônico 387/2010, aprovando a contratação da Tech Mix, com valor do contrato da ordem de R$ 18,9 milhões. Com a prevista saída dele do comando do órgão, também deve cair o superintendente do Dnit em Mato Grosso, Nilton de Brito.

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