Os trabalhadores da rede pública de ensino de Mato Grosso decidiram, em assembleia realizada nesta segunda-feira, suspender o movimento grevista. Com as atividades paralisadas há 29 dias, os trabalhadores exigiam reajuste imediato de 15,07%, o que elevaria o piso da categoria para R$1.312, mas tiveram que se contentar com 10% para o mês de maio e a promessa de análise das receitas do Estado em setembro para incorporação do restante. Se não houver evolução na arrecadação, os 5,07% serão pagos a partir de dezembro. Por conta do retorno às atividades, os 445 mil alunos voltam às aulas a partir de hoje.

Outra reivindicação da categoria, o pagamento de hora-atividade para professores interinos, continuará a ser pauta de negociação entre o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT) e a Secretaria de Educação (Seduc/MT). A convocação dos aprovados no último concurso público será concluída até agosto. Segundo o presidente do Sintep, Gilmar Soares Ferreira, o recuo faz parte de uma estratégia. Para ele, mesmo com a suspensão, o sindicato continuará trabalhando em busca da valorização da educação.

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O movimento começou a perder força após a decretação, por parte do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), da ilegalidade da greve. Por conta disso, a paralisação, que iniciou com mais de 90% de adesão, terminou com 30%. Nos discursos, sobraram acusações entre professores da Capital e do interior sobre quem teria esvaziado a greve. Sobre a questão, o presidente do Sintep preferiu contemporizar e acusou a Seduc de intimidar a categoria. “Fomos vítimas de ataques velados e ameaças de corte de ponto e exoneração. Isso afetou a mobilização em quase todos os municípios e não só em Cuiabá e Várzea Grande”.

Uma das denúncias foi feita pela diretora do Sintep na região de Pontes e Lacerda (448 km a oeste da Capital). Conforme Edna Bernardo, a Secretaria encaminhou e-mails para os diretores das escolas com instruções sobre o corte de ponto dos grevistas. Estes, por sua vez, repassavam os informes em reuniões semanais com todos os funcionários. “Com a situação, trabalhadores de apoio, temporários, com salário de R$ 545, ficavam apavorados com a possibilidade de perderem seus vencimentos e até seus empregos”.

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Para grande parte dos grevistas presentes à assembleia o clima era de frustração. Muitos trabalhadores enfrentaram sol e frio acampados na Praça Ulisses Guimarães, na avenida Historiador Rubens de Mendonça, desde o dia 22, e se sentiram traídos com a suspensão do movimento. Para um dos acampados, Omar Cirino, de Barra do Garças (509 km a leste da Capital), o movimento deveria continuar. “Somos um sindicato democrático e acataremos o fim da greve. Mas, por mim, continuaríamos e partiríamos para o enfrentamento”.

Outro lado – A Seduc informa que o calendário para reposição das aulas deverá ser definido por cada escola. As datas deverão obedecer apenas as regras contidas na Portaria 347/2011 da pasta. De acordo com o texto, serão mantidos os 200 dias letivos com encerramento previsto para 23 de dezembro de 2011.

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