A medicina ocidental funciona de acordo com essa lógica: fabricam-se medicamentos para tratar, da mesma maneira, diferentes sintomas nas mais diferentes pessoas. Os tratamentos para largar o cigarro não são diferentes: medicamentos para controlar a ansiedade, adesivos e goma de mascar são os mais comuns. “A questão é que, o que causa a minha ansiedade, por exemplo, não é o que causa a do outro. Como é que vamos tomar o mesmo remédio?”, explica a Maria Stela de Simone, médica ayurvédica, do Rio de Janeiro. Como muitas vezes os tratamentos convencionais fracassam, a medicina ayurvédica e o Yoga são opções para quem deseja largar o vício, já que promovem o autoconhecimento, reduzem a ansiedade e o estresse.

Cada pessoa tem uma constituição física, aspectos emocionais peculiares e um estilo de vida característico, as enfermidades, os vícios, os sentimentos se manifestam de formas diferentes, por diversos motivos. A medicina ayurvédica parte dessa idéia para cuidar de seus pacientes. Seu objetivo é tratar a pessoa, não a doença.

Segundo Maria Stela, contra o tabagismo não há segredo. “É preciso buscar um conhecimento interno.”, afirma. Ela explica que somos formados por três doshas: vata, pitta e kapha, e que cada um deles é composto por cinco elementos: água, fogo, terra, ar e éter. Assim como a composição dos doshas varia de pessoa para pessoa, a proporção de cada dosha dentro do indivíduo também varia: alguns possuem vatta em predominância; outros pitta ou kapha. (Saiba qual é o seu dosha fazendo o teste no site “quem é você”).

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Essas diferentes composições definem as peculiaridades dos indivíduos e caracterizam sua unicidade. Pessoas com vata predominante, por exemplo, tendem a se deixar afetar por comentários de outras pessoas, são imponderáveis e incertas. Devido a essa insegurança original, seres desta natureza podem encontrar maior dificuldade para lidar com o tabagismo, o que não os impede de conseguir largar o vício. “Se a pessoa se conhece bem, ela vai saber que possuiu dificuldades diferentes das dos outros e, por isso mesmo, vai procurar um tratamento específico para o seu problema.”, explica Maria Stela.

De acordo com a médica, entender esses desequilíbrios originais é essencial para tratar qualquer problema, inclusive o tabagismo. “Todas as saídas estão dentro de nós.”, explica. Nesse sentido, a meditação se mostra muito eficiente já que trabalha a expansão da consciência e o autoconhecimento. Com um maior entendimento de si mesmo é muito mais fácil ter domínio sobre seu corpo, sobre suas vontades e ações. Abandonar o cigarro não será tão difícil quanto parece.

Força que vem de dentro

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Vinita Satyanarayama, 34 anos, é instrutora de Yoga no Bhajan, Vidya Yoga Ashram , em São Paulo. Assim como Maria Stela, acredita que a meditação pode ajudar o tabagista a largar o cigarro. Ela atenta, porém, para uma questão importante: o fumante, antes de qualquer coisa, precisa querer vencer o vício. Ele deve almejar a mudança e, mais do que isso, deve tentar compreender as razões que o levaram a procurar o cigarro. “A chave do problema é descobrir o que levou o fumante a dar a primeira tragada.”, explica.

Toda essa introspecção, essa busca interior por respostas proposta pela filosofia yóguica ajuda o fumante a entender o porquê de sua dependência. “Devemos olhar para dentro de nós e tentar enxergar as verdadeiras causas de nossas dificuldades. Isto é expansão da consciência, é autoconhecimento.”, afirma Vinita.

Segundo ela, praticar Yoga significa fortalecer corpo e mente. Para os fumantes, especificamente, a prática dos pranayamas (exercícios respiratórios) são essênciais, pois ajudam a purificar o corpo, aumentam a capacidade respiratória e o poder de concentração. Maria Stela acredita também que, assim como os exercícios respiratórios, a prática de asanas (posturas) como o virabhadrasana (postura do guerreiro) é importantíssima para os tabagistas, já que favorece o seu fortalecimento interno, possibilitando uma mudança mental que refletirá no seu comportamento.

O Dr. Aderson Moreira Rocha , presidente da Associação Brasileira de Ayurveda, propõe alguns tratamentos para os fumantes que querem largar o vício. Para a completa desintoxicação do corpo, ele sugere o panchakarma. Tal tratamento é feito com acompanhamento médico, o paciente fica internado durante um período que varia de dois a três meses e passa por processo de depuração das substâncias tóxicas.

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Para tratar a síndrome de abstinência, com a qual todos os fumantes sofrem ao largar o cigarro, o médico sugere a shirodhara em combinação com a abhyanga. Em sânscrito, shiro significa cabeça e dhara, óleo que cai. O tratamento, portanto, consiste no derramamento contínuo de um fio de óleo vegetal sob a cabeça do paciente. Já a abhyanga é a massagem propriamente dita, feita também com óleos vegetais.

No final das contas, o fumante, ao abandonar o tabaco, acaba embarcando numa jornada em que desbravará os segredos do seu interior. Jornada esta em que não se pode ter medo ou receio. Assim como diz o professor Hermógenes – pioneiro da Medicina Holística no Brasil e autor de livros como Yoga para Nervosos (Ed. Nova Era) e O que é Yoga (Ed. Nova Era) – na luta contra o vício “o maior papel cabe à inteligência, à perseverança, à coragem e à firmeza”.

 

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