O diretor de jornalismo da TV Rondon, Eduardo Ramos, tem um longo currículo como jornalista. É um dos profissionais do ramo mais respeitado pelo o trabalho que vem desempenhando ao longo da carreira. Eduardo que chegou a pensar em ser padre, entrou um seminário, mas depois descobriu que a sua paixão era pela escrita. Passou por vários veículos de comunicação e hoje se dedica ao telejornalismo. Eduardo que é casado há 20 anos e tem duas filhas vive em Rondonópolis desde um ano de idade e afirma que apesar de não ter nascido na cidade se considera um rondonopolitano.

 – Como é o dia-a-dia de um Jornalista?

A gente acorda pensando em notícia, preocupado com o conteúdo para garantir o fechamento do telejornal, jornal, site e com a notícia que tem que ser atual para que a gente não esteja levando furo, é uma neura de certa forma porque você nunca sabe o que o outro está fazendo, mas não deixa de ser divertido. Temos a oportunidade de interagir com as pessoas e de fazer parte da história. O dia-a-dia é acordar cedo se informar bem, ser honesto com o público e não desanimar.

– Qual característica um bom jornalista deve ter?

Tem que ser curioso, tem que ser uma pessoa insaciável no que se diz respeito ao conhecimento. Também é importante ser desconfiado, não pode acreditar em tudo, até mesmo nas coisas mais comuns, precisa duvidar sempre. Precisa ser honesto com a sua origem e honesto com as pessoas a quem ele se dirige. Um jornalista que não tem essa preocupação com o seu trabalho levando em conta os princípios como lealdade, verdade, solidariedade e justiça ele é incompleto, por mais que ele seja eficiente tecnicamente. Todo o ser humano sente algo, mas sempre tem jornalista dizendo que é imparcial que não sente e isso é mentira, a gente sente e aquele que fala que isso não ocorre, pode ter certeza o que ele faz não tem haver com o bom jornalismo.

-Em sua opinião, devemos escolher a profissão pelo prazer ou pela condição financeira?

A profissão precisa garantir o bem estar material, temos que ser uma remuneração adequada para viver com dignidade, porém eu acho que nenhuma pessoa deveria escolher uma profissão a qual ela vai se dedicar uma vida inteira pela questão econômica. Qualquer profissão bem feita vai garantir rendimento econômico, o bem estar é fundamental.

– Durante toda a sua trajetória como jornalista, você já trabalhou em algum lugar que não permitia a liberdade plena?

Já trabalhei, mas por pouco tempo. Eu tento fazer primeiro uma triagem sobre a empresa em que vou entrar para ver a maneira que ela trabalha, cheguei a receber vários convites, mas não aceitei porque não estou apenas atrás de dinheiro e sim de satisfação profissional. Quero colocar os talentos que Deus me deu de maneira certa, colocando a disposição das pessoas que convivem comigo e a partir daí ter a realização. As empresas que sei que não tem uma conduta ética eu não trabalho.

– O jornalista precisa ter um diploma para ser considerado um profissional?

O diploma, pelo menos em tese, confere a pessoa que o tem um maior domínio técnico, que vão facilitar muito no dia-a-dia. Por outro lado, precisamos lembrar que estamos no Brasil, um país mal servido com o ensino básico e quanto mais com o superior, aqui em Mato Grosso, por exemplo, em toda a região Norte inteira tem apenas uma faculdade de jornalismo e assim mesmo é um pouco precário, aqui na região Sul é a mesma coisa. Agora imaginamos que seja obrigatório o diploma, a gente não tem profissionais suficientes para preencher todas as vagas em Mato Grosso e por isso vamos privar as comunidades a ter a informação, mesmo que precária, porque as pessoas não tem o diploma. Seria limitar a liberdade de expressão, todos tem o direito de se expressar.

– O que você faria no caso de uma fonte te falar algo em “Off”, mas você sabe que a informação data por ele pode prejudicar milhares de pessoas?

Eu respeito o sigilo da fonte, agora a informação que ela me passa é minha, vai caber a mim utilizar ou não. Mas se a informação for relevante e de interesse público eu prefiro perder a fonte do que perder a credibilidade do meu trabalho e isso eu já deixo bem claro para todas as fontes, eu tenho como profissional fazer um bom uso dessa informação.

– Você é uma pessoa realizada com a profissão?

Não. Falta muito para eu me realizar, eu me sinto ainda um guri, acho que tem muita coisa por fazer. Me sinto satisfeito com o que eu faço, mesmo porque eu faço o que eu quero, procuro sempre ter esse respeito comigo mesmo. Estou satisfeito com que faço, mas estou longe de estar realizado.
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