O título de 2010 veio com muito esforço. Com patrocínio contado, Nicolas Costa enxergou na temporada de estreia da Fórmula Futuro sua única – talvez, a última – oportunidade para ingressar no automobilismo. De cara, mostrou bons resultados, mas precisou lutar até a última etapa para assegurar, por apenas um ponto, a marca de primeiro campeão da categoria criada por Felipe Massa para revelar novos talentos no Brasil. Um título que deu ao carioca uma vaga na academia de pilotos da Ferrari e materializou o sonho de competir na Europa, alimentando o objetivo maior de chegar à Fórmula 1.

No último fim de semana, Nicolas visitou a categoria pela primeira vez desde que festejou a conquista de seu título, em dezembro de 2010, e gostou do que viu.

– É bom ver por outro ângulo, sem estar participando. Queria fazer isso desde o início do ano, mas nunca estava no Brasil nos fins de semana de corrida. Na última etapa, em São Paulo, estava de folga no Rio de Janeiro e viajei só para ver de perto. O evento continua um sucesso, e é legal ver tudo sem a pressão da competição. Dá para analisar melhor, prestar atenção em cada piloto, na rotina de cada um. Um conversa mais, outro se concentra. Assim, é possível avaliar o trabalho deles.

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E ele avaliou mesmo. Admitindo a vontade de acelerar novamente o carro que lhe deu suas primeiras horas de pista, o piloto apontou a formação dos jovens, todos oriundos do kart, como um dos principais fatores para a competitividade da Fórmula Futuro.

– Vi alguns pilotos rápidos despontando nesta temporada. Esta geração é bem agressiva, herança do kart, que é praticamente um esporte de contato. Isso se reflete na pista. Nem sempre é bom para quem está guiando, mas para o publico é ótimo, faz a categoria mais interessante. Houve muita renovação do grid, é uma pena que muitos pilotos do ano passado não continuaram. Poderíamos ter um grid bem maior agora. Mas é uma tortura ter que ficar olhando de fora uma categoria na qual já andei. Sou muito “fominha”. Qualquer coisa que tenha rodas, eu quero andar – confessou o piloto, que atualmente vive na Itália.

Como prêmio pelo título, Nicolas ganhou uma temporada na Fórmula Abarth, campeonato baseado na Itália, mas que corre em diversas pistas, como Barcelona, na Espanha, e Spa-Francorchamps, na Bélgica. E também foi selecionado para o Ferrari Driver Academy, programa de desenvolvimento de jovens pilotos da equipe de Fórmula 1. Focado em mostrar seu potencial nesta nova fase da carreira, ele ressalta o aprendizado adquirido em 2010 e a necessidade de adaptação constante.

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– Tudo o que vivi no ano passado faz diferença em cada passo que dou. Ainda tenho pouca quilometragem, então a cada corrida a gente aprende muito. Na Europa, a forma de guiar é outra: você precisa ser equilibrado e constante, mesclando agressividade e paciência. Tem que aprender a se comportar em situações de disputa direta e, se errar muito, isso pode custar caro no fim do ano. Lá, vale aquela máxima de que é preciso terminar a corrida para ganhar – analisa o piloto, que já conquistou algumas poles e pódios em 2011, caso da etapa belga, no início de agosto, onde liderou boa parte da corrida.
Nicolas Costa Fórmula Abarth Itália (Foto: Arquivo Pessoal)Após a Fórmula Abarth, Nicolas já pensa em ir para a F-3 Inglesa em 2012 (Foto: Arquivo Pessoal)

A experiência de fazer parte da escola da Ferrari é empolgante, mas o piloto faz questão de manter os pés no chão. Depois de visitar a fábrica e conhecer alguns segredos do time italiano, como o simulador de corrida, Nicolas andou em um carro de Fórmula 3 (mais potente que o da F-Abarth) no circuito de Fiorano, sob os olhares dos engenheiros da equipe.

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– Foi muito legal. Apesar de não conhecer o carro e nem a pista, andei forte e aproveitei ao máximo a experiência. Fora das pistas, também procuro me dedicar ao máximo ao programa de condicionamento físico que eles me passam, através do qual sou periodicamente avaliado. Mesmo à distância, não adianta fingir e não fazer, porque tudo chega aos ouvidos deles – frisa o piloto, que completará 20 anos em novembro.

Já pensando nos próximos degraus, Nicolas Costa avalia a Fórmula 3 Inglesa como a melhor opção para sua carreira em 2012.

– Além de ser uma grande vitrine, é o campeonato em que o piloto mais corre, com 30 provas e mais alguns testes oficiais ao longo do ano. Serve pra dar experiência, tanto no acerto de carro, quanto no aspecto de competir em diferentes tipos de pistas. Outra opção é a Fórmula 3 Italiana, onde você também pode cumprir uma pré-temporada muito boa de testes, e que dá aos três primeiros no campeonato a oportunidade de guiar uma Ferrari de F-1. Ao contrário da GP3, por exemplo, que te dá apenas seis sessões de treinos coletivos no ano, além das corridas.

O próximo desafio de Nicolas Costa na Fórmula Abarth será dia 2 de outubro, no circuito de Mugello, na Itália.

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