Caio Castro e Lilia Cabral em Fina Estampa: trama do filho que rejeita a mãe já está na novela das sete (Foto: Alex Carvalho/TV Globo)

Fina Estampa, nova novela das nove da Globo, estreou ontem marcando 41 pontos na prévia do Ibope da Grande São Paulo, com pico de 44. Foi bem. A melhor estreia do horário desde Viver a Vida (2009/10) – Passione e Insensato Coração tiveram 37 pontos em seus primeiros capítulos. No horário de Fina Estampa, Record e SBT tiveram 8 pontos.

A novela escrita por Aguinaldo Silva e dirigida por Wolf Maya é uma mistura de clichês com personagens que não existem mais no mundo real (ou que no mínimo são muito raros), em uma trama que mais parece novela das sete apimentada por uma manjada sensualidade que o horário permite – e atrai marmanjos.

Pereirão, a protagonista interpretada por Lilia Cabral, tem o DNA das personagens da fase em que Aguinaldo Silva exercitava um realismo fantástico, como em A Indomada (1997).

Griselda, seu nome menos pejorativo, é um “marido de aluguel”, ganha a vida realizando serviços que hoje nem a maioria dos homens faz mais, como consertar encanamentos. OK. Gente como ela é difícil de achar, porém existe. Mas precisava caracterizá-la como mulher-macho, com macacão e um jeito masculino de andar? E, numa tentativa de suavizá-la, apresentá-la tomando banho (ou seria uma “homenagem” a Hitchcock?)? E encantando um homem ao balançar os cabelos após trocar um pneu?

Forçou.

Menos real parece ser o personagem de Dan Stulbach (Paulo). Ele é empresário do mundo da moda e casado com uma estilista (Julia Lemmertz) há 18 anos. Além de aparentemente heterossexual, é também aparentemente fiel. Humilha uma modelo que lhe pede para encerrar um desfile. Chama a mulher e diz que a modelo o está cantando…

Tereza Cristina, a vilã de Christiane Torloni, é uma mistura de personagens já interpretados pela atriz em América (2005) e Um Anjo Caiu do Céu (2001) com as heroínas dos filmes de Pedro Almodóvar. À beira de um ataque de nervos e over inclusive no figurino, como nos filmes do cineasta espanhol.

Apesar da masculinização da protagonista, o primeiro capítulo de Fina Estampa apresenta uma característica louvável: é uma novela de personagens femininas fortes, uma novela de mulheres (o que não é uma novidade; quase todas as novelas de Aguinaldo Silva são assim).

E o fato de a produção lançar mão de clichês e de repetir uma trama que já está na novela das sete, a da mãe batalhadora rejeitada pelo filho, não quer dizer que ela seja ruim. Também não é uma afirmação de que é boa. É apenas uma constatação _um clichê de crítica, é verdade.

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