A realidade social encontrada no Brasil aponta para uma situação preocupante: apesar de termos alcançado a chamada estabilidade econômica, ainda não conseguimos reverter à situação da desigualdade no acesso às oportunidades.  Isso depende essencialmente de investimento maciço em educação e infelizmente não é isso que presenciamos, pois ainda estamos nos míseros 5% do PIB.
Apesar do esforço brasileiro na última década para diminuir a taxa de analfabetismo, o Brasil é o oitavo pior pais no ranking de analfabetismo da Unesco. São 14 milhões de adultos analfabetos. Entre 2000 e 2007, 2,8% de adultos foram alfabetizados. De 2004 a 2009 esse número caiu para 1,8%. Esse mesmo estudo revelou ainda que 700 mil crianças estão fora das escolas.

Enquanto os Estados Unidos tem na educação um dos fatores de promoção da igualdade social, o Brasil ainda amarga índices vergonhosos de analfabetismo.  No país do Tio Sam a média de escolaridade é 12,1 anos, no Brasil é 4,9 anos, ou seja, perdemos em qualidade e quantidade de anos na escola, e o que é pior, não apenas para os nortes americanos, mas para nossos vizinhos do sul, como a nossa velha rival Argentina que apresenta 8,8 anos de escolaridade em média. A Coréia do Sul conseguiu reverter quadros de crise econômica por meio de investimentos em educação. Em plena era do conhecimento, só ganharam – e ainda ganham – por apostar no ensino de qualidade como saída para o desenvolvimento social.
O Brasil (não se pode negar) vem apresentando melhores índices quando os itens é matrículas ou aprovação, mas sabemos que somente estes itens não são capazes de realmente melhorar o nível de educação de toda a nação, precisamos de mais, muito mais… Pois no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) temos levado uma “pisa” de vários países latino americanos (linguagem e cálculos).

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No Brasil ainda uma boa parcela da população passa pela vida como expectadores do conhecimento, do desenvolvimento e das oportunidades que surgem por intermédio de um ensino de qualidade.
Precisamos de uma forma séria e urgente traçar um plano de busca da excelência educacional, que traga mudanças reais e permita um melhor preparo para vida, em que cada brasileiro tenha o direito da cidadania plena – a qual passa também pelo combate ao analfabetismo empreendedor, pois estamos saturados de “formados” desqualificados para o mercado e que servem apenas para o exército de reserva do sistema produtivo.

A chave para o desenvolvimento passa pela formação do capital humano no sentido amplo do termo. Basta nos atermos ao fato de que um ano a mais de estudo gera um impacto de 15% na renda do indivíduo. O investimento nas pessoas pode corrigir a flagrante desigualdade social em que vivemos e construir nossa capacidade produtiva do amanhã. É por isso que a educação é o caminho mais utilizado por países que buscam o crescimento sustentável.
Temos conseguido dinheiro para tudo neste país, para socorrer sistema financeiro, para promover copa do mundo, para financiar isso ou aquilo, mas para a educação sempre foi na base da conta gotas, às vezes até deixando transparecer que não temos pressa na construção um país culto e próspero – a vergonhosa remuneração e situação de trabalho de nossos professores é um exemplo disso.

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Enfim, necessitamos com urgência de uma política educacional que contemple todos os aspectos da inclusão social, ou seja, além de formarmos cidadãos críticos, conscientes dos deveres e direitos, que também estejam preparados para participarem e usufruírem da produção de riquezas local e global. E os estudos mostram que a educação é indiscutivelmente, a maior fonte de oportunidades que uma sociedade pode ter. Investir em educação é investir no futuro, é acreditar que somente teremos um país rico com uma justa distribuição de renda, quando todos tiverem acesso a uma educação de qualidade.

Thiago Silva, economista.

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