Você sabia que hoje, 10 de agosto, Rondonópolis está completando 96 anos de fundação?

O que se sabe é que a “Povoação do Rio Vermelho” (antiga denominação de Rondonópolis) inicia-se a partir de 1902, com a fixação de famílias procedentes de Goiás, Cuiabá e outras regiões do Estado; contudo, em relação a esse período não foi encontrada documentação oficial relacionada à fundação do povoado.

De outro lado, sabe-se também que em 1915 havia cerca de setenta famílias na localidade, estas viviam com certa organização econômica, social, política e tinham preocupação com as primeiras letras.

Neste mesmo ano, Joaquim da Costa Marques, Presidente de Estado do Mato Grosso, promulga o Decreto Lei nº 395 que estabelecia uma reserva de 2.000 hectares para o patrimônio da povoação do rio Vermelho. Esse decreto marca oficialmente a existência do povoado (a futura cidade de Rondonópolis), cuja data de fundação (10 de agosto de 1915) foi regulamentada pela Lei Municipal 2.777 de 22 de outubro de 1997.

IMPORTÂNCIA DE PITALUGA

Em 1918, o deputado, agrimensor e tenente Otávio Pitaluga conclui o projeto de medição, alinhamento e estética da localidade; projeto que em 1948 foi aproveitado pelo engenheiro Domingos de Lima para edificar o traçado do atual quadrilátero central. Pitaluga foi também o responsável pela alteração de nome do povoado para Rondonópolis, em 1918, uma homenagem a Rondon que passa então a ser considerado o patrono do lugar. Em 1920 Rondonópolis transforma-se em distrito de Santo Antônio do Leverger e comarca de Cuiabá.

                                         DESPOVOAMENTO e  RETOMADA

Na década de 20, Rondonópolis começa a ser despovoada: surgem problemas com epidemias e enchentes, além do que se estabelece um descontentamento entre os moradores e ocorre a descoberta de diamantes na região de Poxoréu, que fizeram com que muitas famílias se mudassem do local. Esses fatores retardaram o avanço natural do recém criado distrito, que nos idos de 1938 submeteu-se ao mando político de Poxoréu, uma vez que, no mesmo ano, este fora elevado à condição de município emancipado.

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Contudo, em 1947, Rondonópolis é inserido no contexto capitalista de produção como fronteira agrícola mato-grossense, resultado da política do sistema de colônias implantado pelo governo do Estado. Assim, o crescimento se reinstala na década de 50 e este vem do campo (agricultura e pecuária), através da vinda de nordestinos, paulistas e mineiros. A emancipação política local acontece em 10 de dezembro de 1953, a partir da homologação da Lei 666 pelo Governador Fernando Correa da Costa, quando Rondonópolis livra-se das amarras de Poxoréu.

 

CRESCIMENTO

        Na década de 70 acontece uma aceleração no processo de expansão capitalista, período em que o município passa a ser um representante do modelo agro-exportador, com destaque para a produção de soja e arroz, fruto do trabalho e da mentalidade sulistas. Neste período Rondonópolis já é considerado pólo econômico da região e classificado como segundo município do estado em importância econômica, demográfica e urbana.

Na década de 90, a cidade é reconhecida como a “Capital do Agronegócio”, e o município nos primeiros anos do século XXI ganha destaque nacional como terra de oportunidades graças às terras férteis e localização privilegiada – entroncamento das Rodovias BR 163 e BR 364, que ligam as regiões Norte/ Sul do país; considerada portal da Amazônia e entrada para o pantanal mato-grossense.

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Assim, ao longo das últimas décadas, Rondonópolis vem oferecendo um leque de oportunidades aos investidores que buscam expandir e diversificar seus negócios: no agronegócio, a partir da cultura de soja, algodão e produtos primários em geral; na pecuária de corte e leiteira; no setor de unidades esmagadoras de soja; na produção de fertilizantes e de embalagens, pólo químico, têxtil e do couro; no comércio de maquinários, utilitários, motocicletas e comércio em geral; no setor de serviços; no transporte (Rondonópolis é considerada o maior pólo graneleiro e a “Capital Nacional do Bitrem”).

A promessa de que os trilhos da Ferronorte chegarão a Rondonópolis até 2012 acenam para as possibilidades de barateamento do frete, de diminuição do percurso até os portos e de melhoria da competitividade de nossos produtos no mercado internacional.

PROJEÇÃO E HISTÓRIA

Hoje Rondonópolis está com uma população aproximada em torno de  200 mil habitantes e tem tudo para transformar-se em um importante entroncamento rodo-ferroviário e em uma metrópole de destaque nacional; entretanto, por outro lado, a sociedade local necessita com urgência tomar contato com sua identidade e buscar resgatar a sua memória histórica. A começar por conhecer e reconhecer fatos que redundam em datas importantes de sua história, como os relativos à emancipação e a fundação da cidade.

Como vimos, a emancipação político-administrativa local rompe os laços de Rondonópolis com Poxoréu em 10 de dezembro de 1953, enquanto a fundação da cidade foi regulamentada pela Lei Municipal 2.777 de 22 de outubro de 1997, que reconhece a data de10 de agosto de 1915 como aquela da fundação de Rondonópolis.

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Vale a pena enfatizar que, a referida data é alusiva ao Decreto Estadual Lei nº 395 (de 10 de agosto de 1915) que delimitava uma reserva de 2.000 hectares para o patrimônio da povoação do rio Vermelho, e é reconhecido como o documento que marca oficialmente a existência do povoado – uma espécie de carteira de identidade.

De algum modo, pode-se considerar que existe uma resistência ideológica para que a data de fundação da cidade seja aceita, talvez porque esta torna a cidade mais velha (96 anos) e retira o ar de precocidade de progresso e de crescimento do município.

O fato é que há certo desinteresse por parte das autoridades competentes e da mídia em relação à história do município, tanto que preferem ignorar o teor e a diferença dos termos “emancipação política e fundação”; e o mais grave é que a má informação é reproduzida como verdade consagrada ao resto da sociedade que por sua vez absorve sem questionar.

Afinal sabe-se que FUNDAÇÃO tem significado e significação distintos de EMANCIPAÇÃO, e como tal não podem ser confundidas. Porém de outro modo, Rondonópolis espera que ambas as datas um dia ainda sejam amplamente festejadas pela coletividade e a comunidade escolar como um todo.

Parabéns Rondonópolis, pelos seus 96 anos de fundação!

Professora Doutora Luci Léa Lopes Martins Tesoro,

Autora do livro “Rondonópolis-MT:

 um entroncamento de mão única”,

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