Fim de casamento quase sempre é assim: marcado por brigas, acusações e traumas difíceis de serem superados. E o divórcio entre Fluminense e Muricy Ramalho não foi diferente. Como celebridades, as duas partes viveram uma união rápida, mas marcada por manchetes e flashes. Em 10 meses e meio, o amor reinou e resultou em um filho esperado há 26 anos pelos tricolores: o título do Brasileirão. No dia 13 de março, porém, a relação chegou ao fim. Mais cinco meses e 11 dias se passaram e nesta quarta, às 20h30m (de Brasília), na Vila Belmiro, os antigos apaixonados se reencontram pela primeira vez para escreverem mais um capítulo de uma história repleta de amor e mágoas.

Como também é comum nos términos de relacionamentos, o tempo é visto como melhor remédio para curar as feridas do passado. E neste quesito o relógio andou mais rápido para Muricy. Alvo da torcida tricolor no confronto diante do Santos, em partida adiada da oitava rodada do Brasileirão – em mais um episódio que irritou os cariocas -, o treinador continua colecionando sucessos na carreira, enquanto, desde sua saída, as coisas ainda não entraram nos eixos nas Laranjeiras. Se os ratos que o ex-treinador revelou existirem na sede social já não fazem mais parte do dia a dia do clube, as vitórias também não são mais tão comuns e o ano que começou como promissor caminha para um desfecho decepcionante.
Desde que saiu do Flu, Muricy foi campeão estadual, da Libertadores e conquistou 56,9% dos pontos. Já

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Por outro lado, Muricy Ramalho não demorou muito para reencontrar a paz e as conquistas. Menos de um mês depois de pedir demissão, após um Fla-Flu, pela Taça Rio, alegando insatisfação com as condições de trabalho no Tricolor carioca, o técnico trocou o Rio de Janeiro pela Baixada Santista. Ao lado de Neymar, Ganso e cia., levantou os troféus do Paulistão e da inédita Libertadores. À distância, observou ainda o Fluminense fazer o caminho inverso e ser eliminado de forma frustrante tanto no Estadual, para o Flamengo, quanto na competição continental, ao ser goleado pelo Libertad (PAR), em Assunção, por 3 a 0, pelas oitavas de final.

Como se não bastassem os títulos, a frieza dos números também comprova que Muricy foi mais feliz ao fazer valer a frase: “Vida que segue”. No Peixe, foram 31 partidas, com 15 vitórias, oito empates e oito derrotas, o que garante um aproveitamento de 56,9%. Já o Flu, em 28 compromissos, foi superado em 11, empatou três e triunfou em 14, ficando com 53,5% dos pontos.

Nesta trajetória, Enderson Moreira e Abel Braga tiveram a missão de fazer com que o clube revivesse os momentos gloriosos do antecessor. Tudo em vão. O processo de reformulação tricolor ainda é lento e a saudade do ex-guerreiro, como era chamado pelo torcedor, só é superada pela mágoa pela forma como o “desquite” foi realizado. Mais do que perder o antigo ídolo, os tricolores não engoliram as críticas de quem tanto veneravam. De herói, Muricy passou a ser traidor e o reencontro desta quarta ganhou ares de decisão.

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No vestiário, entretanto, a preocupação é que o clima inflamado das arquibancadas não se reflita em campo. Após Abel Braga “defender” o companheiro de profissão em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, foram os jogadores que fizeram questão de transformar em cordial o ambiente para a partida. Tanto que Mariano prometeu um carinho ao ex-comandante antes de a bola rolar.
O professor Muricy teve uma grande passagem aqui, foi um grande amigo, me ajudou bastante, foi importante para o título. Vai ser bom reencontrá-lo”
Mariano, lateral do Fluminense

– O professor Muricy teve uma grande passagem aqui, foi um grande amigo, me ajudou bastante, foi importante para o título. Vai ser bom reencontrá-lo. Vou lá dar um abraço e agradecer por tudo que fez por mim e pelo Fluminense.

Rafael Moura seguiu a mesma postura do lateral-direito. Grato por ter sido indicado por Muricy para retornar às Laranjeiras no início do ano, o atacante optou pelos elogios.

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– Foi o cara que me trouxe para cá. Tenho um respeito enorme por ele. Não tenho nada contra. Sabemos que há muitas trocas de comando. É sempre bom rever um amigo, um profissional vencedor, mas hoje cada um defende o seu.

Ciente das rusgas que ainda existem com torcedores e até mesmo parte da diretoria, Abel Braga voltou a abordar o tema em entrevista coletiva na véspera do confronto e fez questão de reforçar que sua equipe entra em campo para encarar o Peixe como um todo.

– O Fluminense não joga contra o Muricy, joga contra o Santos. Cada um segue sua vida. Os jogadores do Fluminense são gratos, inclusive, pelo título conquistado.

A favor dos tricolores nessa disputa particular está a campanha no Brasileirão. Ao contrário do que foi costume nos últimos anos, o time de Muricy Ramalho tem rateado na competição e é apenas o 15º colocado, com 18 pontos, sete a menos que o Flu, nono com 25 e um jogo a mais. Caso vença o próprio Tricolor e o Grêmio, em outra partida adiada, porém, o Peixe diminui para um a diferença e leva para a tabela de classificação uma rivalidade cada vez mais à flor da pele e marcada pelo amor e pelo ódio.

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