Foto Manoel F.F. Souza / Codesp

Agosto terminou com a marca de US$ 2,5 bilhões na transação comercial entre Mato Grosso e a China, um acréscimo de 23% em comparação com o ano anterior, quando o Estado enviou a cifra de US$ 2 bilhões em diferentes produtos para o país asiático. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

O economista Vitor Galesso, argumentou que os chineses estão de olho na qualidade dos produtos necessários para a alimentação. “A China precisa alimentar seu povo e eles têm um consumo forte pela soja, que é um dos produtos nossos que eles compram in natura”, declarou. A tendência, conforme Galesso, é que o embarque de produtos para o país continue registrando níveis favoráveis.

“É uma tendência natural porque eles precisam ter uma oferta crescente de alimentos porque a população consumidora não para de crescer. Esta relação é boa para o estado. O ideal é que exportássemos somente produtos industrializados. Mas não é possível porque também temos um consumo interno”, acrescentou o especialista em mercado exterior.

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Somente o volume exportado para a China este ano representou 35% de toda movimentação registrada por Mato Grosso entre janeiro a agosto. Em oito meses o estado embarcou US$ 7,1 bilhões em diferentes itens, alta de 19,28% frente aos US$ 5,3 bilhões contabilizados no igual período de 2010. A soja, bagaços, milho e carnes encabeçaram a lista de produtos embarcados.

Somente da oleaginosa, Mato Grosso embarcou equivalente a US$ 3,6 bilhões, crescimento de 22,50%. No ano passado, o volume exportado em soja atingiu US$ 3 bilhões.

Mato Grosso quer elevar o montande de negócios com a China. Para alcançar o objetivo, o estado pretende criar novos mecanismos para que a produção de grãos chegue de maneira mais rápida até os portos. Atualmente, a maioria dos grãos que deixa o estado parte via rodovia. O resultado é um alto custo com o frete.

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A construção de uma ferrovia ligando a capital Cuiabá até o Porto de Santarém (1.780 quilômetros) é apontada como uma das alternativas para elevar o comércio exterior mato-grossense. Os chineses já demonstraram interesse no empreendimento, cujo projeto pode chegar aos R$ 10 bilhões. Neste mês, uma comitiva do país visitou a região onde o empreendimento pode ser construído.

Os chineses da estatal China National Machinery Corporation iniciaram uma série de levantamentos técnicos que apontarão a viabilidade da obra. Por meio da linha férrea, o escoamento da soja a partir de cidades como Sorriso (principal produtora de grãos do estado), Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sinop seria facilitado.

“Só a produção do norte de Mato Grosso já viabilizaria a obra da ferrovia. Mato Grosso é o maior produtor de soja, milho e de algodão”, defende o governador Silval Barbosa. Somente nas regiões Norte e Médio Norte a produção de grãos supera 14 milhões de toneladas.

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A obra ainda não tem data prevista para sair do papel. “Depende dos trâmites burocráticos, mas o projeto já está pré-concebido”, falou Barbosa.

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