Pará concentra maior trecho da BR-163 sem pavimentação - Foto: Leandro J. Nascimento

A produção brasileira de grãos deve atingir nesta safra 162,9 milhões de toneladas, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado representa uma alta de 9,2% na comparação com o verificado em 2009/10, quando o país alcançou 149,2 milhões de toneladas. Mesmo com o incremento de 13,7 milhões de toneladas de grãos o país ainda enfrenta uma série de desafios na hora de fazer com que o produto conquiste o mercado externo. O principal deles é a logística.

Quem planta nas principais regiões do Brasil reclama da falta de condição para destinar a mercadoria até os portos. Em Mato Grosso, estado cuja produção deve chegar a quase 31 milhões de toneladas, a logística ainda é considerada gargalo.

Atualmente, os portos de Santos e Paranaguá, no Sul do país, são as principais opções para quem deseja embarcar soja, milho, algodão ou mesmo retirar insumos que chegam ao país para uso na agricultura. Contudo, as distâncias até as plantas variam de 1,9 mil quilômetros a 2,1 mil quilômetros.

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Para os agricultores, faltam opções. “Estou a 30 anos produzindo e é a mesma estrada para levar uma carga, colocar ou tirar do navio”, diz Eraí Maggi, produtor em Mato Grosso. Na prática, a criação de uma nova rota ligando o Centro-Oeste brasileiro até os portos baratearia os custos com o escoamento da safra. A maior delas e cobrada pelo segmento no estado é o término das obras de pavimentação da BR-163 até o Porto de Santarém.

No trecho Cuiabá a Santarém são 1.780 quilômetros. As obras ocorrem em maior parcela no estado do Pará, onde a extensão total da BR-163 é de 1.002 mil quilômetros. De acordo com a Superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Estado do Pará, deste total, 788 quilômetros têm obras executadas por empresas contratadas pelo DNIT e, o restante, é realizado por meio de convênio com o Exército. Dos 788 quilômetros contratados, 210 quilômetros já foram pavimentados. Do trecho executado pelo Exército cerca de 120 quilômetros estão concluídos.

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“Com a conclusão vamos baratear os custos com o frete. Pelo nosso cálculo, isso vai viabilizar para o produtor mais R$ 5 a R$ 6 por saca de soja. Precisamos equacionar esse problema de logística no estado”, lembrou Edeon Vaz, coordenador do Movimento Pró-Logística, entidade que congrega diferentes representantes do setor produtivo em Mato Grosso.

“Significa muito dinheiro no bolso do produtor e de todos mato-grossenses porque a renda fica no estado e não na estrada, porque é muito longa a distância com os portos do Sul. Imaginamos que teremos uma redução de R$ 100 por tonelada”, pontuou Eraí Maggi.

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o gasto na hora de transportar grãos até o Porto de Paranaguá está avaliado em média R$ 178 por tonelada partindo de Sorriso, a 420 quilômetros de Cuiabá. O valor não leva em conta as taxas de impostos. Já o custo para quem leva o produto até Santos está avaliado em R$ 155 a cada tonelada, saindo de Canarana.

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Para Santarém, de acordo com o segmento, projeta-se uma redução de até 40% no custo do frete. “Você reduziria porque a distância é menor. Se pegarmos Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, seriam pouco mais de mil quilômetros”, declarou, Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso. Os cálculos da entidade mostram que o percurso entre Sorriso e Santarém está avaliado em 1.345 quilômetros.

“O real benefício seria você ter uma redução de até 40%. Isso é bom porque com renda maior teríamos condições de pagar as dívidas, investindo, calcariando novas áreas e fazendo armazéns, construindo estradas”, acrescentou o dirigente.

Glauber diz que o setor está se organizando para utilizar a nova rota como opção. Entre outros atrativos do Porto de Santarém está sua proximidade com Roterdã, na Holanda, principal porta de entrada para os produtos da União Europeia.

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