Lohana, de amarelo, em ação pelas Olimpíadas Escolares de 12 a 14 anos (Foto: Wander Roberto / COB)

Em três jogos, 69 pontos. A ala/armadora Lohana Bordignon foi um dos destaques na principal divisão de basquete das Olimpíadas Escolares 2011, para atletas de 12 a 14 anos, disputadas em João Pessoa (PB). Mas suas atuações já chamam a atenção desde 2010, quando recebeu o convite para treinar na base do time feminino do Ourinhos, clube do interior de São Paulo e pentacampeão brasileiro adulto. Porém, aos 13 anos, a atleta da Escola Professora Ivete Lourdes Arenhardt, da cidade de Sorriso (MT), ainda diz ser muito cedo para decidir seu futuro.

– Era para eu ter ido no ano passado, mas a técnica achou melhor deixar para o final desse ano porque eu era muito nova. (A proposta) É ir para lá treinar e estudar, com tudo pago. Iria sozinha para morar com outras atletas, mas não sei se vou. Ainda é cedo – afirmou a jovem, que faz 14 anos em novembro e diz ter outros fatores que também pesam nessa decisão.
Se ela quiser, vai virar uma atleta de nome. Tem uma geração se formando para 2016 e acho que ela vai estar junto”
Lisdeivi Pompa, técnica da base
do Ourinhos

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– Família, amizade, distância… Sou nova ainda – analisou a jovem, que diz ter o apoio e a liberdade da mãe para tomar a decisão.

Quem fez o convite foi Lisdeivi Victores Pompa, ex-atleta e atual técnica das categorias de base do Ourinhos. Lohana foi indicada por um amigo da treinadora que atualmente mora no Mato Grosso, e o encontro entre as duas aconteceu durante o Campeonato Brasileiro Sub-15 de basquete de 2010, realizado em Palmas (TO).

– Eu pouco a vi jogar naquele Brasileiro, mas gostei do seu biotipo, do arremesso, ela faz bem a bandeja, não olha para passar… No fim do jogo, ela veio tremendo falar comigo. Me apresentei e disse que fiquei interessada em levá-la para jogar comigo no Ourinhos. Falei: “Você tem futuro, talento, vai ficar aí? Você tem o dom de jogar basquete, vem aqui para São Paulo”. Se ela quiser, vai virar uma atleta de nome. Tem uma geração se formando para 2016 e acho que ela vai estar junto. Se vai ser no banco ou não, não sei, mas acredito que vai fazer parte da convocação – previu.

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Segundo Lisdeivi, a proposta inclui estudo em escola municipal, alimentação no clube, ajuda de custo e direito a um plano de saúde, que é patrocinador do time. Além disso, ela viveria numa república com outras meninas do time. Composta por duas casas, a moradia tem sete meninas atualmente e conta com a presença de uma senhora responsável por cuidar das atletas à noite.
A treinadora entende o receio de Lohana. Nascida em Artemisa, em Cuba, Lisdeivi saiu de casa aos 12 anos para morar na capital de seu país, Havana, com o sonho de se tornar jogadora de basquete profissional. A então pivô atuou no basquete brasileiro.

– Eu sei como é a preocupação. Minha mãe ficou desesperada na época. Meu pai, nem tanto, ele sempre me incentivou. Quando mudei para a capital, fiquei a 60km de casa. O medo é sair. Tem uma menina de Belém do Pará aqui, o pai veio, viu tudo, gostou e depois mandou ela. A Lohana podia vir aqui ver tudo também, falaria com o diretor, o técnico, as meninas… Vou tentar conseguir o telefone e ligar para os pais dela. Infelizmente não posso ir lá buscá-la – comentou a técnica, que disse ter um projeto para federar as jogadoras mirins do clube.

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Apesar da responsabilidade da escolha e da pouca idade, foi ainda mais jovem que Lohana deu o primeiro passo importante para sua carreira no basquete: mesmo a contragosto, ela começou a praticar a modalidade após acompanhar os treinamentos de sua irmã mais velha num ginásio da cidade.

– Ia bem pouco aos treinos, gostava mais de ir para o caratê. Só que em 2009 teve a Copa América (de basquete feminino) aqui em Cuiabá (MT). Assisti e gostei. Vi o nível das atletas e acho que posso chegar lá.

O caminho para seguir esse sonho ainda não está traçado. Uma das portas se abriu, e a treinadora do Ourinhos parece aguardar por tempo indeterminado a resposta positiva da atleta. Mas, embora a proposta informal não tenha um prazo de validade, a resposta para a próxima temporada tem vencimento.

– Em janeiro, a gente tem que fechar a matrícula (das alunas). Até lá, ela pode escolher – explicou.

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