Depois de várias reuniões patrocinadas pelo Sindicato Rural, por delegação da FAMATO, entre o Frigorífico Mataboi, em recuperação judicial, e os pecuaristas credores da planta Rondonópolis, fechada desde o início do ano, o imbróglio chegou a um impasse devido à ineficiência e apego a picuinhas do Administrador Judicial nomeado pelo Juízo de Araguari MG para gerenciar a massa credora na disputa judicial.

O Administrador nomeado, economista Fernando Borges, o mesmo nomeado para a recuperação do Fribom, outro frigorífico em idêntica situação, apresentou um cronograma determinando o final de setembro para definição formal do Quadro Geral de Credores, já devidamente aceito entre as partes e, a data de 26 de outubro para realização da Assembléia Geral de Credores, para formalização do volume de débitos do frigorífico e a forma de pagamento aos credores.

Apesar de aceita e aprovada pelo Juízo de Araguari MG os prazos não foram cumpridos,  com o Administrador protelando seu próprio cronograma e deixando em suspenso todo o conjunto de pecuaristas credores. Com uma remuneração mensal acima de 70 mil reais, já há quem diga que o administrador tem interesse pessoal em alongar o processo e manter este nível de receita. Dentre os credores de Rondonópolis, principais prejudicados pela concordata do Mataboi, já se pode encontrar defensores de uma substituição do economista paulista, diretor da Fernando Borges APDN Ltda., por alguém mais isento e disposto a agilizar os prazos e acordos já firmados pelo frigorífico e seus credores.

Leia também:  Governo atrasa salário de inativos e aposentados cobram posição da Justiça

Uma das razões desta desconfiança diz respeito direto ao local onde, ultimamente, foram convocadas as reuniões entre as partes envolvidas. A questão é a cidade de referência e as instituições responsáveis pelas negociações. O Mataboi só tem uma planta industrial fechada em Mato Grosso, que é Rondonópolis. Não se justificaria deslocar o foro das reuniões pra Cuiabá, sob patrocínio da Acrimat, se os credores são da cidade e região e estes contam com o Sindicato Rural, delegado da FAMATO, para aglutinar e defender os interesses dos pecuaristas junto à ação de recuperação judicial do Mataboi.

Dentre os pecuaristas credores de Rondonópolis há um consenso de que as motivações podem esconder outros objetivos. Segundo os mesmos, para o Mataboi, a capital é mais confortável no que se refere à logística. Mas o interesse do frigorífico é buscar o aval e o peso político da Acrimat, já de plano favorável, para tentar neutralizar os esforços já realizados junto aos credores do frigorífico, pelo Sindicato Rural/FAMATO, que segundo estes são os legítimos representantes dos credores da planta Rondonópolis. Lembram ainda que estas entidades, inclusive, já montaram um quadro de credores locais, em várias reuniões com representantes do frigorífico.

Até porque Rondonópolis não estaria de acordo com as regras definidas pelo frigorífico e Acrimat para ressarcimento dos débitos junto aos pecuaristas, que confiaram no frigorífico e entregaram seus animais para abate no período antecedente à quebra do Mataboi. Os pecuaristas locais, ao contrário da proposta do Mataboi, defendem um valor mínimo de R$ 100 mil para acertos à vista. Todos os créditos até este valor seriam pagos após determinação judicial. Os créditos acima deste limite receberiam, à vista, os mesmos R$ 100 mil, com a diferença quitada dentro do prazo proposto pela ação judicial.

Leia também:  Em menos de um mês setembro tem o maior número de queimadas da "história" brasileira

De acordo com o assessor jurídico do Sindicato Rural/FAMATO, advogado Sergio Henrique Guareschi: “o remédio proposto é mais amargo para os pecuaristas, já que a doença já está instalada pela quebra do Mataboi e a recuperação judicial. O remédio deveria ser amargo para ambas as partes e, em doses semelhantes. O que importa neste momento é achar uma saída que possa caber nas condições financeiras do Mataboi, mas que também proteja o patrimônio dos pecuaristas, que confiaram seu gado ao frigorífico.

De acordo com Guareschi, o Sindicato Rural de Rondonópolis, a FAMATO, a Criasul e, a própria Acrimat, vem se reunindo com representantes do frigorífico para viabilizar, de forma ágil e eficiente, o andamento das negociações, visando o pagamento dos credores, num imbróglio que se arrasta desde o inicio do ano, sem uma luz no fim do túnel.

Com o não cumprimento do cronograma apresentado pelo Administrador Judicial, nem mesmo o Quadro Geral de Credores foi definido, continuando em aberto e, sem a devida homologação judicial. Segundo o assessor do Sindicato Rural/FAMATO, está sendo feito um trabalho minucioso de acompanhamento do processo de recuperação judicial do Mataboi, de forma que as expectativas e propostas dos pecuaristas regionais sejam atendidas. Isto tanto na esfera judicial, junto à Comarca de Araguari MG, sede do processo, quanto na esfera administrativa, com seguidas reuniões entre as partes, para que seja apresentado para votação, na Assembléia de Credores, um plano de pagamentos que vá de encontro aos interesses dos pecuaristas atingidos e, passível de cumprimento para o Mataboi.

Leia também:  Observatório Social apresentou o ‘balanço’ do trabalho deste ano

Há que se reconhecer, neste aspecto, a boa vontade do frigorífico, que abriu  sua contabilidade e previsão formal de receitas. Números estes que foram analisados por uma equipe de economistas do IMEA, instituto ligado à FAMATO, que apresentou diversas possibilidades de quitação dos débitos junto aos produtores. Uma questão, no entanto, chama a atenção dos especialistas: a previsão de receitas do Mataboi não inclui receitas oriundas da planta Rondonópolis, contemplando apenas as plantas de Santa Fé e Araguari do frigorífico, que trabalham com 90% da capacidade de abate e mantêm seus pagamentos à vista. Isto leva a crer que a volta às operações da planta Rondonópolis não só foi descartada pelo Mataboi, mas esta circunstância tem um peso específico nas negociações para acerto das dívidas junto aos pecuaristas.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.