Imagem de Muammar Kadhafi mostrada pela TV líbia durante um de seus discursos em 1º de agosto, em uma de suas últimas aparições (Foto: AFP)

O ex-ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, foi preso e está ferido em ambas as pernas, gravemente, informaram nesta quinta-feira (20/10) fontes militares do novo governo do país. Também há relatos, não confirmados, de que Kadhafi estaria morto.

A informação sobre a prisão do ex-ditador foi inicialmente confirmada por Abdel Majid, chefe militar dos ex-rebeldes líbios na capital, Trípoli.

“Ele foi capturado. Ele está ferido em ambas as pernas… Ele foi levado de ambulância”, disse o militar à agência Reuters, por telefone. Outro comandante rebelde, Mohamed Leith, disse à France Presse que viu Kadhafi “com seus próprios olhos” e que o coronel está “gravemente ferido”, mas “ainda respira”.

Kadhafi teria sido preso próximo à sua cidade-natal, Sirte, em um comboio que sofria ataque aéreo da Otan enquanto tentava fugir. A cidade, último foco de resistência dos combatentes kadhafistas, havia sido tomada definitivamente pelos rebeldes nesta quinta-feira.

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A TV Líbia Livre disse que também foram presos Muatassim, um dos filhos do coronel, além de Mansur Dau e Abdala Senusi, dos serviços de inteligência.

Um combatente do novo governo líbio, ouvido pela Reuters, disse que Kadhafi estava escondido em um buraco, e teria gritado “Não atire! Não atire!” ao ser descoberto.

Otan e EUA não confirmam

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e o Departamento de Estado dos EUA ainda não confirmavam a prisão. Mas os rebeldes e a população já comemoravam a notícia nas ruas das principais cidades líbias.

A Otan afirmou que ainda “levaria tempo” para checar as informações. “O Departamento de Estado não pode, neste momento, confirmar as notícias da imprensa sobre a captura ou morte de Muamar Kadhafi”, declarou a porta-voz da diplomacia americana, Victoria Nuland.

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O ex-ministro de Defesa do regime deposto, Abubakr Yunes Jaber, morreu em Sirte, disse à France Presse o médico Abdu Rauf.

Mustava Abdel Jalil, chefe do CNT, deve fazer um pronunciamento na TV em breve, segundo a TV Líbia Livre.

Desaparecido

Kadhafi, derrubado após a tomada de Trípoli no fim de agosto, estava desaparecido desde então, tentando reagir as tropas do Conselho Nacional de Transição, órgão político da rebelião líbia, que tenta reorganizar o país na transição para a democracia.

Bani Walid, outro reduto kadhafista, caiu na segunda-feira.

 

O destino de Kadhafi, se confirmada a prisão, é incerto. Ele é procurado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia, da ONU, por crimes contra a humanidade cometidos durante a repressão aos rebeldes.

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Mas o CNT já falou, em várias ocasiões, que pretendia levar o coronel e seus aliados a julgamento no próprio país.

Iniciada em meados de fevereiro na cidade de Benghazi, a rebelião contra o ex-ditador colocou a Líbia em uma violenta guerra civil e em crise humanitária.

A rebelião contra Kadhafi começou no contexto da chamada Primavera Árabe, que também derrubou governos na Tunísia e no Egito e abala atualmente os regimes ditatoriais no Iêmen e na Síria.

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