Edno treina para fazer um gol em Weverton: goleiro leva a melhor (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Bolinho de bacalhau, pastel de Belém e até vinho do porto: jogador da Portuguesa tem de se acostumar com os hábitos da torcida. E não é só à mesa. Edno, por exemplo, já até dançou o “Vira” ao lado do cantor Roberto Leal. Agora, o atacante aceitou o convite do GLOBOESPORTE.COM e se arriscou em mais um desafio cultural, mas, desta vez, sem sair do esporte. Edno se juntou ao goleiro Weverton para experimentar mais uma tradição da Lusa: o hóquei inline. O resultado da experiência foi uma divertida tarde de risos e “micos”.

Com a bola no pé, Edno vem fazendo a festa na Série B. Com 12 gols, ele é a principal arma de artilharia da Lusa, que tem o ataque mais eficiente da competição. Weverton também está em grande fase. Ele é o único que esteve em campo nas 31 partidas da equipe nesta Segundona e está fechando o gol. A Portuguesa tem a segunda melhor defesa da competição, com 31 gols sofridos. Edno e Weverton já provaram que são, respectivamente, o matador e a muralha da Lusa. Agora, os dois trocam a bola pelo puck e tentam a sorte sobre patins.

– Na infância, até andei um pouquinho de patins na rua. Vamos ver no que vai dar (risos). Cara, para ficar em pé nisso aqui dá um trabalho. Pareço criança aprendendo a andar. Bambo, sem coordenação nenhuma (risos). Não sei se vou me garantir como no futebol, mas, pela Lusa, vou fazer o meu melhor – brinca Weverton.

Leia também:  Inscrições para 1° Duathlon Rondon estão abertas até 15 de maio

Antes de pegar o taco e ir para a quadra, porém, a dupla de jogadores enfrentou seu primeiro desafio no hóquei: vestir o uniforme. Haja equipamento. Meio sem jeito, os dois foram colocando capacete, luvas, caneleiras, ombreiras, coquilha e até uma espécie de fraldão. O hóquei é um esporte de contato, e os riscos de lesão são altos, principalmente para iniciantes. Como o técnico Jorginho não ficaria nem um pouco contente em perder duas peças fundamentais do time na reta final do Brasileirão, todo cuidado é pouco.

Habituados com uniformes leves, que permitem boa movimentação, Edno e Weverton se sentiram como robôs com tantos acessórios. Foi preciso mais de uma pessoa só para ajudar cada um a vestir a “armadura”.

– Não dá para jogar desse jeito no campo. Trava as pernas. Ainda mais no meu caso, que estou acostumado a dar uns gatos nos marcadores. Nunca andei de patins, skate, essas coisas de rodinha. No máximo, andava de bicicleta. Só vi o hóquei no gelo. E pela TV. Este eu nunca nem tinha visto – disse Edno.

Depois de quase meia hora apenas se preparando para o teste, enfim, os jogadores estavam armados para ir à luta, mas a postura não era nada intimidadora. Edno e Werverton só conseguiram chegar à quadra se escorando no alambrado e nos professores, os verdadeiros jogadores de hóquei inline da Lusa. Com a bola rolando, ou melhor, o puck girando, até que o desempenho não foi desastroso. Alguns gols e, inacreditavelmente, nenhum tombo.

Leia também:  União estreia neste domingo no Brasileirão série D

– Para o primeiro contato, eles foram muito bem. Nunca vi alguém não cair na primeira aula. Mais uns treininhos e eles serão tão bons sobre patins quanto são no campo – avalia Décio Limeira, técnico da Lusa e atleta do time do Canindé e da seleção brasileira.

Só que a dupla tem um segredo para, logo de cara, ter sucesso no hóquei inline. Weverton até tentou fazer uns movimentos mais “ousados”, como dar um passo sem apoiar em nada, mas, ao primeiro desequilíbrio, desistiu. Ele só andou de patins com alguém a tiracolo. Edno mal calçou os patins. Enquanto as meninas da patinação artística saltavam e rodopiavam, o marmanjo ficava de tênis. Assim fica fácil não tropeçar nas próprias pernas, mas, às vésperas de um duelo com o Americana, em que um triunfo pode garantir uma vaga antecipada na elite nacional para a Portuguesa, até que a desculpa de não arriscar uma contusão foi bem aceita.

O mínimo que Edno deveria fazer sem patins era conduzir bem o puck e balançar a rede várias vezes. Ele não foi tão bem assim, mas conseguiu vazar o goleiro do time de hóquei inline da Portuguesa, Felipe Rocha. Weverton não ficou para trás e defendeu algumas tentativas de Décio, atacante da seleção nacional. Entre chacotas, risos e tacadas vergonhosas, aos trancos e barrancos, Edno e Weverton se ambientaram com mais uma tradição lusitana.

Leia também:  União faz amistoso com equipe de Mato Grosso do Sul

À primeira vista, o pode parecer brincadeira de criança, mas o hóquei é levado a sério no Canindé. Com uma estante repleta de taças, o time ostenta o vice-campeonato sul-americano e está cheio de jogadores que defendem a seleção brasileira, incluindo até campeões mundiais da modalidade. Edno e Weverton só encontrariam melhores professores em Portugal. O país não tem tanta força na versão inline do hóquei, mas com os patins tradicionais, aqueles com dois pares de rodas paralelas, os lusitanos arrebentam. Empatado com a Espanha, Portugal é o maior campeão mundial do esporte – com 15 conquistas.

Aula dada, intercâmbio feito. Eis que chega a hora do verdadeiro desafio: o duelo entre Edno e Weverton sobre patins. Foram três cobranças para ver quem foi o melhor aluno. Ainda sem jeito com o taco, Edno mandou a primeira para longe do gol. Na segunda tentativa, por pouco Weverton não conseguiu segurar, mas o puck balançou a rede. Na decisão, porém, o goleiro levou a melhor. Ele desviou o puck, comemorou e ainda tirou onda do companheiro de time.

– O Edno é muito fraco. Deitei nele – provocou Weverton, que levou o troco na hora.

– Ele só deitou porque já estava caído no chão mesmo – retrucou Edno.

Apesar dos elogios do técnico Décio Limeira, o torcedor da Lusa agradece por ter Edno e Weverton no futebol, pois, no hóquei inline eles ainda precisam de muito treino.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.