Seleção brasileira posa com o troféu e as medalhas da Copa América de Basquete (Foto: agência EFE)

Há três semanas, os olhos estavam vidrados na TV. Acompanhavam atentamente a seleção de Rubén Magnano que fazia, diante da República Dominicana, o jogo da vida em Mar del Plata. Depois de 40 minutos de muita apreensão, as meninas puderam respirar. Viram chegar ao fim um jejum olímpico de 15 anos, que marcava o basquete masculino. Ainda em meio à comemoração, foram convocadas por Hortência para uma reunião. Só para lembrar que agora era a vez delas. Entenderam o recado. Neste sábado, na cidade de Neiva, o Brasil atropelou a Argentina, conquistou o título da Copa América e assegurou seu lugar nos Jogos de Londres-2012: 74 a 33 (33 a 11). A última vez que o país contou com suas duas equipes na competição foi em Atlanta-96.

Érika e suas companheiras entraram em quadra dispostas a manter uma tradição. Desde Barcelona-92, o Brasil sempre esteve representado no torneio feminino nas Olimpíadas. E o caminho mais curto para bater cartão mais uma vez seria assegurar a única vaga em disputa na Colômbia. Caso contrário, seria preciso ir para a repescagem mundial. Apesar do moral alto depois da vitória heroica sobre o Canadá na semifinal, as hermanas não representaram em momento algum uma ameaça para as brasileiras. Com um início arrasador, as comandadas do técnico Ênio Vecchi sufocaram as adversárias que, num torneio preparatório, já tinham sido derrotadas pela diferença de 55 pontos.

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A experiente Érika contribuiu e muito para o desespero das rivais. A pivô terminou a partida como cestinha ao marcar 13 pontos e ainda recebeu o troféu de MVP. Foi incansável também na defesa. Do lado argentino, Erica Sanchez carregou seu time nas costas: 12.

– Jogar com a camisa do Brasil vale qualquer preço. Vim aqui e consegui ajudar minhas companheiras. Amanhã estou indo para os Estados Unidos para ajudar ajudar minhas companheiras do Atlanta Dream nos playoffs da WNBA no que puder. Mas sem esquecer que tenho que ir ao Pan também. E vamos lutar para fazer bonito em Londres – comemorava Érika.

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O jogo

Com uma defesa atenta e um ataque agressivo, o Brasil abriu rapidamente 11 a 0. A Argentina não se encontrava em quadra. Os ataques costumavam ser desarmados e, quando conseguiam vencer a barreira verde-amarela, as bolas teimavam em bater no aro. A primeira cesta só foi comemorada após seis minutos de jogo. A segunda, também de Erica Sanchez, só no finalzinho do primeiro quarto: 16 a 4.

Com uma vantagem confortável, algumas titulares puderam passar um bom tempo descansando no banco. Mas as reservas entraram em quadra com o mesmo apetite e não deixaram o ritmo cair. O Brasil fez 24 a 6 e queria mais. Sem encontrar resistência, Adrianinha arriscava de longe e acertava. De volta ao jogo, Érika também tratava logo de aumentar a frente (31 a 8) e pegar mais alguns rebotes. A pivô terminou o primeiro tempo com dez deles na conta e mais sete pontos.  Nos dois últimos minutos, os arremessos forçados fizeram Ênio Vecchi dar o primeiro puxão de orelhas no time, que anotou 22 pontos no segundo período e permitiu que as rivais fizessem apenas sete: 33 a 11.

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Os semblantes fechados das argentinas contrastavam com os sorrisos de Adrianinha & Cia. As hermanas tinham vontade, mas viam cada vez mais distante o sonho de garantir pela primeira vez a ida de uma seleção feminina do país às Olimpíadas. O placar demorava muito a andar, enquanto do lado brasileiro parecia voar.  Érika, Clarissa, Damiris e principalmente Chuca, fizeram o caminho até Londres ficar ainda mais curto. Com elas, a vantagem chegou a 59 a 19 no fim do terceiro quarto.

Restavam apenas 10 minutos para carimbar o passaporte. As reservas foram convocadas e administraram a frente construída. Cada pontinho era aplaudido de pé pelas companheiras que assistiam a tudo do banco.  A essa altura, a Argentina tentava fazer com que a derrota fosse por um placar um pouco menos elástico. Enquanto isso, as meninas do Brasil contavam os minutos para poder começar a festa. Faltavam apenas 2min30s (70 a 28). Nadia aproveitava para anotar mais uns pontinhos. Um minuto. Palmas de Érika. Sorriso de Micaela.

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Restavam só oito segundinhos. Os técnicos já se cumprimentavam, a bandeira já estava na mão e a coreografia prontinha para ser executada no centro da quadra. Fim de jogo. Pela terceira vez na história o basquete brasileiro terá suas duas equipes nos Jogos Olímpicos. O objetivo tinha sido alcançado e era o momento de Ênio Vecchi pagar a promessa feita para suas pupilas. Ali mesmo, diante dos olhares da arquibancada, elas trataram de raspar o bigode do treinador.

– Estou bastante feliz porque agora podemos fazer um planejamento melhor para a Olimpíada. Valeu todo o esforço e união delas. O time estava pronto para ser campeão mesmo. Vamos fazer vários jogos internacionais agora. Já fomos convidados pela China para fazer um quadrangular, assim como por Londres também. Vamos trazer a Érika para o Brasil para que a gente possa treinar junto desde o início. A ideia é não deixá-la ir para a WNBA. Ela entrosada com nossa equipe é fundamental – disse Hortência, diretora de seleções femininas da CBB.

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