Soldado israelense Gilad Shalit caminha rumo a sua casa depois de ser libertado após cinco anos de cativeiro

O pai do soldado israelense Gilad Shalit, Noam Shalit, disse que seu filho foi mantido em condições difíceis no início dos cinco anos que passou em cativeiro na faixa de Gaza, mas que seu tratamento melhorou ao longo do tempo.

Em uma entrevista coletiva nesta terça-feira (18), Noam Shalit afirmou que o filho ainda tem pequenos ferimentos causados por estilhaços e algumas complicações por causa da falta de luz do sol no local onde ficou preso.

– Estamos concluindo uma jornada longa e difícil. Estamos felizes de ter ganho nosso filho de volta.

Gilad Shalit foi libertado nesta terça-feira, depois que Israel e o grupo islâmico Hamas fizeram um acordo para libertar mais de mil prisioneiros palestinos em troca do soldado.

Ele foi recebido por uma multidão ao desembarcar em sua cidade natal, Mitzpe Hila, no norte de Israel.

Em Gaza, milhares de pessoas foram às ruas para cumprimentar os 477 ex-prisioneiros. Outros 550 deverão ser libertados no próximo mês.

O sargento Shalit, de 25 anos, foi capturado em 2006 por militantes do Hamas que entraram em Israel.

‘Longo sofrimento’

Na manhã desta terça-feira, ele foi levado pelo Hamas para a travessa de Rafah, entre Gaza e o Egito, e entregue a mediadores egípcios, na presença de representantes de Israel.

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Em sua primeira entrevista, à TV egípcia, Shalit disse que sentiu saudades de seus amigos e sua família. Pálido e aparentando cansaço, ele disse que esperava que a troca ajudasse a trazer a paz entre israelenses e palestinos.

– Espero que este acordo ajude para a conclusão de um acordo de paz entre israelenses e palestinos. Tenho esperança que a cooperação entre os dois lados seja consolidada.

Após a entrevista, Shalit foi levado para a base aérea de Tel Nof, onde encontrou sua família, para exames médicos. Eles foram levados de helicóptero até a cidade de Mitzpe Hila.

A secretária de Estado Americana Hillary Clinton disse que estava contente que o “longo sofrimento” de Shalit havia terminado e afirmou que ele foi mantido preso “por tempo demais”.

O premiê israelense Binyamin Netanyahu disse que a volta Shalit é um momento feliz, mas reconheceu a dor de familiares de mortos em ataques cometidos por prisioneiros palestinos libertados no acordo.

– Quero deixar claro que seguiremos combatendo o terrorismo.

Chegada a Gaza

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Segundo estimativas, cerca de 200 mil pessoas se concentraram na Cidade de Gaza para celebrar a chegada de 180 dos 295 prisioneiros palestinos que devem ser enviados para o território nesta primeira parte do acordo.

Os prisioneiros saíram de Kerem Shalom, em Israel, de ônibus, em direção ao Egito, e em seguida foram recebidos em Rafah por familiares e amigos, e pelo primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniya.

O correspondente da BBC em Gaza, Jon Donnison, diz que há centenas de militantes do Hamas, armados e mascarados, patrulhando as ruas.

De acordo com Donnison, o Hamas quer demonstrar força, mas muitos acreditam que o grupo tenha utilizado seu maior trunfo ao entregar Shalit.

O líder político do Hamas, Khaled Meshaal, falando do Cairo, disse que a troca de prisioneiros foi uma vitória histórica para o povo palestino.

– A mente militante palestina derrotou a mente israelense, que tem o apoio de todos os serviços secretos, aparatos de inteligência e meios. Este acordo abençoado foi conseguido com paciência. Gaza pagou um preço muito alto durante cinco anos de bloqueios e ataques, assassinatos, agressões israelenses e o cúmulo disso foi a guerra de 2008 e 2009 quando o exército sionista israelense teve que se retirar, derrotado. Eles não tiveram a vitória ou Gilad Shalit.

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Comemorações

Além das bandeiras verdes do Hamas, muitos na multidão portavam bandeiras amarelas, do grupo Fatah.

Cenas de júbilo foram também vistas na Cisjordânia.

“Seus sacrifícios, esforços e trabalho não foram em vão. Vocês se sacrificaram, lutaram, pagaram o preço e vão ver os resultados de sua luta na concretização de um Estado palestino independente com a capital em Jerusalém”, disse o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Ramallah, onde recepcionou os palestinos.

Alguns dos 477 libertados nesta terça-feira vão ser levados para países como Turquia, Síria e Catar. O acordo prevê que outros 550 devem ser libertados em dois meses.

O editor do escritório da BBC no Oriente Médio, Paul Danahar, disse ser raro “Israel e os territórios palestinos ocupados celebrarem alguma coisa no mesmo dia”.

– Mas ambos os lados sentem que ganharam algo com esta troca.

Danahar diz que o acordo não torna mais próximo um eventual acordo de paz.

– Ele fortalece o Hamas e enfraquece o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que é o único que pode negociar com Israel.

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