Foto: Gustavo Landim Soffiati

Mais de 80% das rodovias estaduais que cortam Mato Grosso não são asfaltadas. Atualmente, 30 mil quilômetros estão sob responsabilidade do governo do estado, mas, deste universo, somente 5 mil são pavimentados. O governo reconhece o dado e a estimativa do próprio Executivo é que para pavimentar tudo, seria necessário reservar para as obras o equivalente a um orçamento e meio ou R$ 18,5 bilhões.

O secretário de Obras do estado, Arnaldo Alvez de Souza, diz que nos últimos anos foram construídos quatro mil km de asfalto, mas reconhece que o total ainda é insuficiente para sanar as deficiências. Em época de chuva, motoristas encaram uma série de desafios para se deslocarem entre uma cidade e outra.

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Em Mato Grosso, o acesso a 44 cidades é pavimentado. “Hoje, temos 25 patrulhas trabalhando para manutenção dessas rodovias. Sabemos que nem tudo é suficiente porque depende da intensidade da chuva”, disse o secretário, ao G1. Além da ausência de pavimentação, o acesso a muitas cidades do interior de Mato Grosso fica comprometido por conta das pontes de madeira.

Fatores como o peso dos caminhões e a força das águas, em épocas mais regulares de chuvas, ampliam os danos nas pontes. “Temos nessas rodovias praticamente mais de três mil pontes de madeira, que é um complicador”, complementou o secretário estadual.

O caminhoneiro João Batista da Silva deixou Itumbiara, a 205 km de Goiânia, com destino ao município de Alto Boa Vista, a 1.064 quilômetros de Cuiabá. Mas, antes de chegar ao destino final, ele foi obrigado a parar porque o nível das águas aumentou e fez com que a ponte de madeira se tornasse um empecilho.

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Silva conta que preferiu esperar no local para não arriscar cair com a carreta de 40 toneladas no córrego. “Fiquei três dias esperando em Alto Boa Vista para que as águas baixassem. Na ponte não passava”, declarou ao G1. A saída encontrada pelo caminhoneiro foi esperar o nível das águas baixar e passar por dentro do córrego.

“É cansativo, sofrimento a viagem. Tem que ter paciência para chegar ao destino final”, salientou.

Condições ruins
As rodovias mato-grossenses já foram classificadas com o status de ruim ou péssimas na pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), responsável por avaliar as condições de trafegabilidade na malha viária dos estados. Na lista das avaliadas estão tanto aquelas sob administração do governo federal quanto do estado. Estas últimas apresentaram desempenho inferior em relação às rodovias geridas pela União.

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O conceito aplicado às rodovias estaduais variou de regular, ruim ou péssimo. Todas as avaliadas receberam o conceito de ruim quanto à condição geral. Foram monitoradas as MTs 130 (112 quilômetros pesquisados), MT-208 (46km), MT-240 (59km), MT-246 (85km), MT-320 (154km), MT-343 (79km), MT-358 (130km).

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