Josino Guimarães / Foto: Midia News

As primeiras horas do Júri Popular do homem acusado pela morte do juiz de Mato Grosso, Leopoldino Marques do Amaral, assassinado em 1999, foram marcadas por discussões acaloradas entre acusação e defesa. A previsão é que o julgamento, que começou com mais de uma hora de atraso nesta manhã de terça-feira (26), dure pelo menos três dias.

O juiz Leopoldino foi morto depois de denunciar um esquema de venda de sentença envolvendo membros do Poder Judiciário do estado. O corpo do juiz foi encontrado parcialmente carbonizado no dia 7 de setembro de 1999, no município de Concepción, no Paraguai. Ele morreu ao levar dois tiros na cabeça.

O Tribunal do Júri está composto por quatro homens (um odontólogo, um contador, um analista de sistema e um servidores público) e três mulheres (uma administradora, uma técnica em manutenção e uma assistente social). Em geral, são pessoas com mais de trinta anos. A defesa rejeitou três mulheres e a promotoria um homem que alegou problemas familiares. Eles vão definir o futuro do acusado Josino Guimarães.

O advogado Waldir Caldas disse que o empresário se declara inocente. No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) apontou o empresário como mandante do crime e o denunciou por homicídio triplamente qualificado.

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A defesa do acusado começou fazendo três pedidos de nulidade do Júri. A defesa contestou o uso de vídeo-conferência para ouvir testemunhas, o excesso de influência da imprensa local no pensamento dos jurados e a retirada de alguns documentos que foram entregues aos jurados. Eles alegaram que essas alegações foram feitas sendo pensadas em futuros recursos nas instâncias superiores. Dos pedidos feitos, o juiz Rafael Vasconcelos Porto só acatou a retirada de uma reportagem de nível nacional dos autos do processo. O juiz também justificou que o recurso da vídeo-conferência é interessante – apesar de seu uso ser incipiente – para obter depoimentos gravados de pessoas que estão em locais distantes.

Diante dos intensos debates, o Júri Popular só foi oficialmente instalado pelo juiz por volta das 11h30 [horário de MT] desta terça-feira (29). Durante esta tarde começam os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa e o depoimento mais esperado será o da ex-escrevente do Tribunal de Justiça (TJ) Beatriz Árias. Ela declarou durante outros depoimentos que o empresário Josino tinha envolvimento com o crime. Ela já foi condenada em 2001 pela co-autoria do crime. Ela cumpre pena no regime semiaberto.

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A defesa do acusado vai insistir na tese que o crime foi cometido por Beatriz e pelo tio dela Marcos Perauta, que morreu em 2005 dentro da cadeia por complicações do diabetes. Segundo o advogado Waldir Caldas, a denúncia do MPF apontou que o empresário teria oferecido uma grande quantia em dinheiro para um sargento matar o juiz, porém, ele não teria aceito a proposta. AInda segundo a defesa do empresário, o inquérito da polícia da época apontou que o crime teria sido cometido por Marcos Peralta. “Vamos defender neste julgamento a negativa de autoria”, declarou Caldas.

Além da ex-escrevente do TJ-MT, deve prestar um dos depoimentos desta tarde o médico do Instituto Médico Legal (IML) de Cuiabá, Jorge Caramuru. Antes do depoimento, ele disse à imprensa que não tem dúvidas de que o juiz foi realmente assassinado. Ele foi arrolado para prestar depoimento na condição de perito. Ao todo, serão sete testemunhas, sendo cinco de acusação e duas defesa.

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Família quer Justiça

Leopoldo Marques do Amaral, filho do juiz assassinado, disse que espera encerrar as discussões sobre o caso. Na opinião dele e da mãe Valdete, que acompanharam o júri nesta manhã, o julgamento demorou muito para ser realizado. “São 12 anos esperando uma solução do caso”, disse a viúva do juiz.

Outra ex-mulher do juiz também quebrou o silêncio nesta semana e falou sobre o homicídio. A advogada Rosemar Monteiro afirmou que espera que os jurados façam Justiça. “Espero que se ponha um ponto final nisso. Toda vez que se mexe neste assunto, machuca muito”, disse.

Outra condenação
Em setembro de 2011, a Justiça Federal condenou Josino a sete anos de prisão por integrar um suposto esquema criado para levantar a hipótese de que o juiz Leopoldino, na verdade, estaria vivo. No entanto, segundo o MPF, a nova investigação policial, tida como “falsa”, teve o único objetivo de tumultuar o processo e atrasar o atual Júri Popular contra o empresário.

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