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Mato Grosso é o estado com maior índice de rotatividade no mercado de trabalho no país. Para 10 pessoas empregadas, 5,8 estão em processo de admissão ou demissão, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Esta característica é vista como um ponto negativo para a região, porque as pessoas não criam vínculos empregatícios e não têm a oportunidade de crescer no local de trabalho.

Principal motivo para tal situação é a sazonalidade do trabalho no Estado. Com grande parte da mão de obra empregada no setor do agronegócio, as contratações têm tempo certo de duração, de acordo com a safra ou ciclo da produção no campo. Este segmento possui um nível de rotatividade acima da média nacional e atingiu em setembro 7,22. Média brasileira geral de rotatividade é de 4,14 e no campo este valor nacional é de 5,46.

Para o superintendente do Serviço Nacional de Emprego em Mato Grosso (Sine), Ivone Rosset, o Estado tem esta característica devido à sazonalidade presente no mercado local. Em primeiro lugar, a representante explica que o agronegócio, principalmente a agricultura, trabalha conforme os ciclos. O número de contratados tende a ser maior na época de plantio e colheita e cair durante a entressafra.

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Outra situação vivenciada pelo mercado local é a explosão da construção civil. Segundo Rosset, os trabalhadores também têm contratos determinados conforme a empreita ( um obra em andamento) e também de acordo o clima, visto que, no período de chuvas, os canteiros tendem a parar e com isso muitos são dispensados do emprego.

Para o economista e consultor Amado de Oliveira, o setor da construção ainda passa por outro momento, pois com a escassez da mão de obra, os funcionários mudam de emprego conforme a oferta de salário. “Quando há mais oferta de emprego do que mão de obra disponível há uma disputa pelo empregado, que tende a se vincular ao local que oferece melhor remuneração”.

Gestora de Recursos Humanos (RH), Marluce Dezorze explica que esta situação é caracterizada na região, além do perfil dos empregos, por um tripé formado pelo governo, empresa e funcionários. Segundo ela, o Estado financia a situação concedendo o segurodesemprego mesmo a trabalhadores que permaneceram somente 6 meses em um posto. Assim, quando ele completa o tempo suficiente, por qualquer motivo, força uma de missão para passar até 8 meses em casa e recebendo o seguro.

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Outro problema apontado pela gestora de RH é a falta de interesse das empresas em formar pessoas competentes, líderes para trabalhar. Segundo ela, faltam representantes que estimulem o quadro de funcionários a crescer dentro da empresa e assim acumular benefícios. “Faltam entender que o lucro está vinculado ao talento de sua equipe, não somente à qualidade dos produtos que oferecem”.

Em terceiro lugar, Marluce Dezorze tam- bém afirma que falta comprometimento das pessoas com as empresas. Segundo ela, os trabalhadores estão à procura de emprego e não de serviço e por isso migram entre um local e outro de acordo com a melhor oferta. “Não sabem que, para alcançar uma boa remuneração ou reconhecimento, precisam se dedicar, inves- tir na carreira para colher os frutos”.

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Presidente do Sindicato da Indústria da Construção na Baixada Cuiabana, Joaquim Dias Santana, confirma que atualmente o recomendado no setor é que o trabalhador procure quem paga mais. Segundo ele, devido a existência de pequenas obras, muitos são contratados para executar um serviço e depois são mandados embora, nem sempre têm todos os direitos pagos e em menos de um ano troca 3 vezes de emprego. “Como é um característica do segmento a sazonalidade, recomendamos que a escolha seja pelo local que melhor paga e não para o que oferece maior tempo, até porque isso depende de outras variáveis”.

Virgínia Santana, 40, acabou de sair de uma empresa em que permaneceu durante 10 anos. Segundo ela, sua contribuição com a instituição acabou e que agora é hora de encontrar novas oportunidades. Mas revela que, em sua opinião, não permanece em um posto aqueles que não se dedicam ou entregam ao trabalho e com isso o empregador procura outros que tenham comprometimento.

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