Diante da proposta de divisão de Mato Grosso, discutida em audiência pública no sábado (3), em Porto Alegre do Norte (1.125 km a Nordeste de Cuiabá) , que propõe a criação do Estado do Araguaia e de Mato Grosso do Norte, constatou que a maioria dos deputados estaduais é contra a proposta. Pelo menos, 12 dos 24 parlamentares que compõem a Assembleia Legislativa rejeitaram a idéia, do jornalista Leandro Nascimento.

Dos deputados, 12 entendem que uma divisão territorial é desnecessária e pregam o aperfeiçoamento das políticas públicas do Estado, para favorecer os 141 municípios mato-grossenses com investimentos.

Um dos discursos contrários parte do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual José Riva (PSD), reafirmou no sábado, durante discurso no seminário que discutiu a proposta, na cidade do Vale do Araguaia.

Exercendo o quinto mandato e conhecido pela defesa dos municípios, o parlamentar alegou que o alto custo para patrocinar uma divisão de Mato Grosso pode ser usado para investimentos na própria região do Araguaia, no Norte e no Noroeste.

“Estudos do Governo Federal apontam a necessidade de aplicar R$ 1 bilhão para dividir o Estado de Mato Grosso. Este dinheiro é suficiente para ser aplicado em Saúde, Segurança Pública e Infraestrutura nos municípios mais afastados de Cuiabá. O que precisa é o Executivo aperfeiçoar as políticas públicas numa parceria com o Legislativo”, disse.

O deputado estadual Sérgio Ricardo (PR) também adotou discurso semelhante e defendeu uma melhor aplicação dos recursos públicos. “O que deve ser feito é uma melhor distribuição do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e melhor planejamento dos investimentos pelo Estado para abranger a área social no Araguaia, Norte e Noroeste do Estado”, afirmou.

O líder do Governo, deputado Romoaldo Junior (PMDB), é um dos mais críticos à proposta de divisão de Mato Grosso. “É um discurso oportunista, de quem busca se candidatar nas próximas eleições. A divisão não é proposta do Governo do Estado e tampouco do Governo Federal”, disse.

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Aperfeiçoamento e integração

Com base eleitoral em Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá), o deputado Dilmar Dal1Bosco (DEM) disse não ver momento favorável para uma nova divisão territorial.

“O Araguaia, o Norte e o Noroeste estão recebendo investimentos na esfera social, e o Estado tem trabalhado pela qualificação na mão de obra e oportunidade de emprego, melhoria das rodovias e expansão da saúde pública. Antes, não tinha nada disso. Essa mudança é reflexo de um aperfeiçoamento dos gastos que vem sendo feita de forma gradual, mas, muito positiva”, afirmou.

O deputado Ademir Brunetto (PT) também rejeita a proposta de divisão. “Somos uma potência agrícola mundial e essa geração de riquezas tem que gerar o discurso de integração e não de divisão. O Estado precisa expandir investimentos, o que já vem acontecendo. Essa proposta de divisão é um assunto encerrado na atual realidade”, observou.

O deputado Aray Fonseca (PSD) segue linha de discurso semelhante. “O desenvolvimento atinge todo o Mato Grosso. A atual gestão estadual está empenhada em levar obras de Saúde, Educação e Segurança para o interior, inclusive no Araguaia”, destacou.

Por outro lado, o deputado Ezequiel Fonseca (PP) classificou de inoportuna a discussão. “Não vejo necessidade disso. Se hoje Mato Grosso cresce acima do PIB nacional, se deve à integração dos municípios. A solução para melhorar a qualidade de vida do Araguaia, região Norte e Noroeste é o aperfeiçoamento da política de gastos do Estado em setores básicos. A divisão não é o melhor caminho”, disse.

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Aparelhamento

O deputado estadual Ondonir Bortolini, o Nininho (PR), é contra a divisão do Estado pelo excesso de gastos que serão aplicados em uma nova unidade territorial.

“Um novo Estado precisa de gastos com parlamentares estaduais, Ministério Público Estadual e Federal e poder Judiciário. Somada as obras sociais, isso levaria a consumir mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos, investimento suficiente para atender as demandas da região do Araguaia, Norte e Noroeste”, afirmou.

Reestruturação

Ex-secretário de Indústria, Comércio e Mineração, o deputado Carlos Avalone (PSDB) sustenta que houve uma reestruturação do Estado na gestão do ex-governador Dante de Oliveira, como alívio das dívidas e aumento na capacidade de investimentos.

Diante disso, entende que o Governo Blairo Maggi expandiu a infraestrutura e fortaleceu o setor agrícola e acredita que a gestão de Silval Barbosa siga caminho semelhante.

“É preciso entender que Mato Grosso vive uma fase de reestruturação. O Governo Dante de Oliveira conseguiu atrair investimentos que nos permite ser uma potência agrícola, após sermos considerados um Estado paupérrimo”, disse.

Segundo ele, houve preocupação da gestão Blairo Maggi em expandir investimentos e, agora, o governador Silval Barbosa tem preocupação de levar investimentos. “Não há necessidade de divisão”, comentou.

Avalone ainda citou projetos em andamento que favorecerão o interior de Mato Grosso.

“O Estado trabalha com o Governo Federal para concluir a ferrovia Centro-Oeste até 2014 e na recuperação de rodovias, como a BR-163 e BR-158. Pelo projeto de reestruturação feito em Mato Grosso, conseguimos a recuperação da capacidade própria de investimentos, agora, é hora de levar benefícios ao Araguaia, Norte e Noroeste do Estado”, completou.

Interesse alheio

Da bancada atual da Assembleia Legislativa, há parlamentares que observam a proposta de divisão de Mato Grosso interessar somente a outros Estados, como São Paulo e Paraná, numa estratégia de impedir o desenvolvimento econômico.

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O deputado Emanuel Pinheiro (PR) segue essa linha de raciocínio e elenca motivos. “Mato Grosso contribui com mais de 30% na produção agrícola nacional gerando resultados positivos a balança comercial. A divisão só interessa aos Estados do Sul e Sudeste, para impedir que Mato Grosso seja uma potência econômica nos próximos 20 anos”, afirmou.

Com base eleitoral em Rondonópolis, o deputado Jota Barreto (PR) também vê com preocupação a proposta de divisão de Mato Grosso e não acredita em benefícios se houver a concretização.

“Se não houvesse a divisão de 1977, teríamos uma população próxima de 8 milhões de habitantes e seríamos o quarto maior estado do país. Sou contra uma nova divisão porque atende somente ao interesse econômico de outros Estados”, afirmou.

Questionado a respeito de que políticas públicas não tem favorecido o Araguaia, o republicano rebateu: “Há uma programação do Estado em investir em obras como BR-158, BR-163 e Ferrovia do Centro-Oeste. Tem ainda a MT-100 que vai ligar o Alto Araguaia a Barra do Garças. A divisão é coisa de gente que não torce para Mato Grosso ser um Estado forte”.

O deputado Guilherme Maluf (PSDB) afirma ser contrário à divisão do Estado, alegando que interesses políticos e econômicos patrocinam uma discussão que, em sua visão, é inoportuna.

“Isso se deve a vontade de poder de poucos apostam em ascensão política com a divisão do Estado. Se esquecem de que representa o enfraquecimento de uma economia de crescimento invejável pautada pelo agronegócio, o que interessa somente ao Sul e Sudeste”, disse.

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