Reprodução de vídeo mostra tanque na cidade de Homs. (Foto: AFP)

O objetivo da missão da Liga Árabe é verificar se o contestado presidente Bashar al Assad vai cumprir o acordo firmado na semana passada de retirar das ruas as tropas que, nos últimos nove meses, já mataram mais de 5 mil pessoas, segundo estimativa da ONU.

A Liga Árabe enviou à Síria 50 observadores, de pelo menos oito países diferentes.

Só nesta segunda, pelo menos  23 civis foram mortos pelas forças do governo.

Tanques enfrentaram opositores do presidente Bashar al Assad na cidade em Homs, disseram moradores.

Mais tarde, os veículos se retiraram da cidade.

O grupo opositor Observatório Sírio para os Direitos Humanos, entidade com sede na Grã-Bretanha, disse que pelo menos 11 tanques haviam deixado um bairro que tinha sido atacado na segunda-feira e outros estavam sendo escondidos na cidade, a terceira maior da Síria.

Horas depois, a TV síria Dunia informou que monitores da Liga Árabe haviam chegado a Homs e estavam reunidos com o governo local.

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Um dia antes de os observadores chegarem à cidade que é um dos principais centros do levante de nove meses, não havia nenhum sinal de que Assad estava implementando um plano acertado com a Liga para deter a repressão militar dos protestos e iniciar conversas com os adversários.

Um vídeo amador publicado por ativistas na Internet mostrou três tanques nas ruas, ao lado de apartamentos no distrito de Baba Amr. Um tanque usou sua metralhadora, enquanto outro disparou tiros de morteiro.

Imagens grotescas mostravam corpos mutilados largados em poças de sangue nas ruas estreitas. Fios elétricos estavam caídos e carros estavam queimados, como se tivessem sido atingidos por morteiros.

“O que está acontecendo é um massacre”, disse Fadi, morador do bairro de Baba Amr. Segundo ele, a vizinhança estava sendo atingida por bombas de morteiro e metralhadora.

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Com uma insurgência armada cada vez mais ofuscando os protestos civis, muitos temem que a Síria esteja à beira de uma guerra sectária da maioria sunita contra a minoria alauíta, de Assad – uma ramificação do islamismo xiita -, especialmente após um duplo ataque suicida em Damasco na quinta-feira (22), que matou 44 pessoas.

Partes de Homs são defendidas pelo grupo Exército da Síria Livre, formado por desertores das Forças Armadas, que dizem que tentam estabelecer áreas de acesso proibido, para proteger os civis.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos, sediado na Grã-Bretanha , documentou nomes daqueles que teriam morrido em confrontos nesta segunda-feira, os quais começaram com ataques e prisões realizadas pelas forças pró-Assad, o que também teria ocorrido em Aleppo, a segunda maior cidade da Síria, que havia sido poupada da revolta até recentemente.

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A televisão estatal síria tem regularmente mostrado algumas áreas da cidade que aparentam tranquilidade. Mas vídeo de ativistas publicado na Internet mostra outras partes parecendo uma zona de guerra, com ruas vazias, corpos e fachadas de casas destruídas.

A Síria tem impedido o acesso à maioria dos jornalistas estrangeiros desde o início da revolta, tornando difícil verificar relatos do que acontece no país.

A ONU diz que pelo menos 5 mil sírios foram mortos no levante, inspirado por outras revoltas árabes este ano, que derrubaram três ditadores. Os protestos foram iniciados em março – e cerca de um terço das mortes ocorreram dentro e ao redor Homs.

Assad diz que seu governo está enfrentando uma insurgência de gangues de terroristas.

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