Pesquisa do instituto Nielsen revela que mais da metade dos consumidores não entende nada ou quase nada do que vem descrito nas
embalagens

As gorduras boas são as classificadas como insaturadas e se dividem em dois
tipos: poli-insaturadas e monoinsaturadas. Os ômegas 3 e 6 são nutrientes
saudáveis, encontrados na composição das gorduras poli-insaturadas. Tudo isso
está escrito no rótulo dos produtos, mas quem entende as tabelas nutricionais?
Uma pesquisa sobre tendências de alimentação, realizada pelo instituto Nielsen
com 25 mil pessoas em 56 países, incluindo o Brasil, revelou que 52% dos
entrevistados não entende nada ou quase nada do que vem descrito nas
embalagens.

— Essa prática ajuda a identificar o perfil do produto
durante as compras, só que as pessoas precisam entender o que a tabela
nutricional oferece de informação — observa o cardiologista Daniel Magnoni,
responsável por uma outra pesquisa, feita pelo Instituto Dante Pazzanese de
Cardiologia para avaliar o grau de conhecimento de pacientes cardíacos sobre o
consumo de gorduras.

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De acordo com a nutricionista Valéria Uhr, do
Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, é preciso ficar atento não só ao que
significa a classificação nutricional em si — tipos de gorduras e minerais, por
exemplo — mas também às quantidades utilizadas no produto.

— O  consumidor, quando olha o rótulo, vai direto para o valor calórico, enquanto o
teor de sódio do alimento, na verdade, é muito mais perigoso, porque leva à
retenção de líquidos, entre outros problemas — explica a nutricionista.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão que dita
as regras de informações nutricionais em embalagens. É obrigatório, por exemplo,
apresentar também a medida “caseira” (fatias, unidades, xícaras, colheres de
sopa), para facilitar a compreensão. Além da quantidade de cada substância por
porção — que é a quantidade média do alimento que deve ser consumida por pessoas
saudáveis —, a tabela informa também quanto essa quantidade representa do
percentual diário (% VD) em relação a uma dieta de 2 mil  calorias.

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Circulando pelas prateleiras do supermercado, a
nutricionista Valéria Uhr traduz o que está no verso das embalagens para
qualquer leigo entender.
Conheça os elementos da  tabela nutricional

Veja como age cada nutriente no organismo e
confira a necessidade diária de referência, calculada em relação a uma dieta de
2 mil calorias, conforme a Anvisa.

Carboidratos —
fornecem energia para as células, principalmente do cérebro. Em maior quantidade
em massas, arroz, açúcar, mel, pães, farinhas, tubérculos e doces em geral.
Necessidade diária: 300g.

Proteínas — necessárias
para a construção e manutenção de órgãos, tecidos e células. Encontradas
proteínas nas carnes, ovos, leites e derivados e também nas leguminosas
(feijões, soja e ervilha). Necessidade diária: 75g.

:: Gorduras
Totais —
referem-se à soma de todos os tipos de gorduras , tanto de
origem animal quanto vegetal. Ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K.
Necessidade diária: 55g.

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Gorduras saturadas —  presente em alimentos de origem animal, como carnes, queijos, leite integral,
manteiga, requeijão e iogurte. Se consumidas em grandes quantidades, podem
aumentar o risco de doenças do coração. Necessidade diária:  22g.

Gorduras trans — encontrada em grande quantidade
em alimentos industrializados, como as margarinas, cremes vegetais, biscoitos,
sorvetes, salgadinhos, produtos de panificação, alimentos fritos e lanches
salgados que utilizam as gorduras vegetais hidrogenadas no preparo. Seu consumo
deve ser muito reduzido, pois esse tipo de gordura não é necessário ao organismo
— e também prejudica o coração. Necessidade diária: zero.

Fibra Alimentar — auxilia no funcionamento do intestino. Está presente
em frutas, hortaliças, feijões e alimentos integrais. Necessidade diária:  25g.

Sódio — presente no sal de cozinha e em
alimentos industrializados, deve ser consumido com moderação, porque pode levar
ao aumento da pressão arterial. Necessidade diária: 2.400 mg

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