Nas praças, shoppings ou locais públicos. Eles estão em todos os lugares. O chamado marketing de rede virou febre em Cuiabá. Quem nunca ouviu falar em Forever Living, Mona.Vie ou Herba Life? Aliás, acaba de chegar uma grande novidade na capital. A boa notícia do momento é uma tal de Organo Gold, a empresa que vai mudar a sua vida. A sua, porque para mim só os nomes é que mudam.
Minha infértil mente miúda apequenada pela falta de experiência ainda não conseguiu absorver como a busca pelo PODER pode levar milhares de pessoas a viverem unicamente para manter essas redes especulativas vivas. A essência do negócio é muita conversa, e haja saliva. Histórias e estórias se fundem. Como escriba do cotidiano, minha sina é seguir a primeira opção. Já eles são vendedores e agem com base na simples estratégia de aguçar os sentimentos mais controversos e repugnantes do ser humano, como luxuria, inveja e avareza. E para isso vale contar estórias.

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Há disparidade. E ela é absurda. Enquanto muitos lutam para domar, aquietar ou ao menos ocultar esses três pecados capitais, outros sonham com o dinheiro fácil, cultuam-no com as mãos erguidas ao alto, acreditando piamente que uma hora ele vai cair do céu. Faltam gritar em pleno púlpito: receeeeba!!!
Falando em céu, as vezes me pego a viajar em pensamentos de que eles só podem ter vindo de outro planeta. Extraterrestres ou alienígenas alienados. O objetivo deles foi aprendido na infância, com o desenho “Pink e o Cérebro”. Também acho eles parecidos com os fundamentalistas religiosos. Isso porque, como evangélicos ou islâmicos, eles “forever living” (viverão para sempre) tentando te doutrinar com palestras, reuniões e treinamentos. Eles são discípulos e querem te salvar. Imagino que você também já deve ter recebido um desses convites, não? Se não, uma hora eles vão te perseguir.

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E no fim? Bom, no fim haverá o grande dia. O dia do juízo final. Serei considerado tolo, um pecador, não merecedor dos palacetes celestiais, forrados e decorados com ouro. Já pensou chegar ao fim da vida e perceber que viveu enganado… Então, não sei, talvez esteja enganado mesmo. Eu é que devo estar alienado, né! Quem sabe essas empresas são as melhores do mundo para se trabalhar, ganhar dinheiro e ter qualidade de vida (termo-chave para dar fôlego ao negócio).

A fé baseada nos indícios conquistados por longos dias de observação me leva a uma única certeza; essas empresas se espalharam por minha querida cidade. Olho para os lados e o que vejo são eles: os fanáticos. Garotos de fé, que enfrentam o sol escaldante de nossa capital para promover uma vida melhor. Não sei pra quem, só se for para eles mesmos. Ao final, o lugarzinho deles estará garantido lá no céu. Amém!

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*Hugo Fernandes é jornalista em Cuiabá

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