No último mês de dezembro, participei em Brasília de uma reunião com o Secretario Nacional da Juventude (cargo ligado a Presidência da República) Gabriel Souza para debater o Estatuto da Juventude, e mais especificamente a questão do posicionamento na aprovação da meia-entrada cultural.

Em razão de em nosso país 53% dos municípios não terem instituição pública de cultura, ou seja, museu, biblioteca, teatro e cinema, defendemos nesta reunião além da meia-entrada para jovens, e sim o empenho da classe política, para que a PL 5798/09 proposto pelo Governo, no qual cria o Vale-Cultura para trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, saia do papel e venha a proporcionar acesso à cultura a milhares de jovens brasileiros. Acreditamos que o vale mensal de R$ 50 que será distribuído pelas empresas que aderirem ao Programa Cultura do Trabalhador, poderá ser usado na compra de serviços ou produtos culturais, como livros e ingressos para cinemas, teatros e museus, servindo de instrumento de política pública que visa à melhoria da educação da população brasileira.

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Uma educação de má qualidade também é fruto da falta de bibliotecas públicas, pois conforme pesquisas do Ministério da Cultura, hoje, ainda faltam bibliotecas em mais de 300 municípios brasileiros. O desafio de melhorar este número e zerar o déficit deve ser encarado como uma meta educacional de todos os políticos, alunos, professores, lideres comunitários e sociedade organizada.

Além de disponibilizarem livros variados para todos os tipos de público, as bibliotecas também podem servir de salas para cursos de teatro, música e artesanato. Por ser um ambiente aconchegante e convidativo, as bibliotecas são opções excelentes para o convívio de crianças e de jovens que, sem essa alternativa, acabariam ficando na rua, expostos a toda sorte de riscos e estímulos negativos.

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Com a aprovação do Estatuto da Juventude e da Lei da Cultura, o grande desafio dos educadores será transformar os livros em objeto de desejo, pois essa é uma missão que deve ser encampada não só pelos professores, mas por toda a sociedade.

Acreditando na mudança da realidade cultural do nosso país, esperamos que no primeiro semestre de 2012 o governo comece a executar projetos na área cultural, como estimular a leitura, ampliar os investimentos em artes visuais, dança, teatro, música e nos valores regionais.

Vale lembrar que programas de incentivo a leitura que disponibilize livros para toda a sociedade é fundamental, principalmente para os universitários, pois conforme pesquisas 88% dos jovens brasileiros pertencerem às classes C, D e E e tem dificuldades financeiras para adquirir uma obra literária.

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Por fim, no âmbito da educação e da cultura, é sabido que o Brasil superou problemas antigos, como a falta de acesso à escola, porém o acesso a cultura ainda é uma triste realidade social do nosso país. Enquanto poucos têm muito, muitos têm pouco ou não tem nada.

Thiago Silva é Líder Comunitário e Professor Universitário.

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