Exames clínicos realizados em bovinos confirmaram a ocorrência de 91 casos de raiva animal no ano passado, em Mato Grosso. A doença, transmitida pelo morcego hematófago Desmodus rotundus, pode provocar perdas econômicas elevadas. O combate é feito mediante vacinação e também eliminação do agente causador. Todas as detecções na unidade federada que possui o maior plantel de gado no Brasil ocorreram após sucessivas análises.

Em 12 meses, 369 atendimentos foram realizados pelo Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), com a finalidade de avaliar a existência do problema. Para a médica veterinária Daniella Soares de Almeida Bueno, responsável pela Coordenadoria de Controle de Doença dos Animais (CCDA) do Indea, a doença pode ser considerada cíclica. “A doença é cíclica e a partir do momento que infecta o animal ele morre, pois a raiva é uma zoonose. O maior problema é que causa prejuízo econômico”, disse.

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Por se tratar de uma zoonose, acrescenta ainda a veterinária, oferece riscos à saúde humana, podendo ser transmitida mediante, por exemplo, o manuseio dos animais.

Duas regionais do Indea concentraram mais de 60% dos casos de raiva em 2011, segundo constatou o instituto: a de Barra do Garças, que congrega 18 cidades, e de Pontes de Lacerda, com 11. “Houve um aumento grande na incidência nessas áreas. Na localidade onde existe o foco o Indea visita as propriedades em torno e faz a captura do morcego”, salientou a responsável pelo setor de doenças animais.

O veterinário Geraldo da Rosa Galvão, da regional de Barra do Garças, explica que agentes têm atuado na identificação dos locais onde focos surgiram. “O morcego vai sugar o sangue dos animais que sejam nas propriedades. Quando há animais doentes o produtor comunica e para afirmarmos que é raiva só através de exames. O animal tem que ser sacrificado”, frisou, ao G1.

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O combate também pode ser feito mediante eliminação do morcego transmissor. “Ao fazermos a captura dos morcegos, passamos uma pasta pelo corpo dele. Ao ir para a colônia, os animais, que têm o hábito de se lamberem, acabam matando um ao outro”, frisou ainda o veterinário.

Apesar de a vacina para imunizar não ser obrigatória, para o Indea é uma das melhores maneiras de proteger a sanidade do plantel, segundo avalia Daniella Soares. “É uma vacina barata, e um animal que se perde na propriedade já é prejuízo”, avaliou ainda a representante.

Exames
Em 2011 o Indea também realizou oito atendimentos com a finalidade de verificar a existência de doença vesicular nos animais como, por exemplo, a febre aftosa. Dois casos foram registrados como varíola e um outro como febre catarral malígna.

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Crescimento no rebanho
A bovinocultura representa para Mato Grosso um dos mais importantes setores da economia estadual. O estado possui o maior plantel de gado, com mais de 28 milhões de animais, e para os próximos anos espera-se uma alta de 18%. Na prática, em dez anos o número de animais passaria de 28 milhões de cabeças para 33,9 milhões de animais, conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para cada ano a entidade estima um crescimento de 2%, devido à fatores de manejo e capacidade de suporte.

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