Vivemos hoje, a exemplo de outros tempos, um período em que a sociedade espera ver seus problemas resolvidos pelas políticas públicas. Mesmo período em que os gestores públicos têm apresentado enorme ineficiência neste sentido, ou para que possamos amenizar um pouco o quadro, capacidade reduzida até mesmo para lidar com certas pressões em momentos de crise.

Porém, mesmo em períodos de crise, seja ela a forma que tiver, tem que se haver um limite na relação entre o administrador público e a população; este limite sob meu ponto de vista chama-se ‘Democracia’. Limite este que permite a participação desta mesma sociedade nas decisões, ou no mínimo, que ela tenha conhecimento real do que acontece na gestão pública.

Esta mesma sociedade precisa que seus direitos sejam garantidos e que sua liberdade seja respeitada. O excesso de controle por parte do gestor público gera, no mínimo, insegurança e um dos canais que tem o poder de encurtar distâncias entre gestão pública e população é a ‘Imprensa’. Todo Homem público deve ser conhecedor desta ferramenta importante.

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A imprensa oferece ao Homem público uma forma de ele mostrar o resultado de seu trabalho, é também o mecanismo através do qual o gestor público consegue notoriedade junto a seu ‘povo’; tudo isso dada a credibilidade e penetração que tem a ‘Imprensa’.

A imprensa tem o poder de levar a informação com credibilidade a maior parte da sociedade.

Alguns Homens públicos tratam a imprensa como inimiga, mas não deveriam, pois ela garante tanto ao cidadão comum, como àquele que governa um povo, o exercício da Democracia fazendo valer os direitos das classes minoritárias, pois elas tem sede de informação, e dando notoriedade ao trabalho desenvolvido dentro da gestão pública.

O papel da imprensa (do profissional) é verificar as versões sobre os fatos, levar ao cidadão o que acontece e quais são as implicações. O repórter está sempre pautado pela transparência de seu trabalho, pois seu compromisso é sempre com a verdade, sabendo ele que a história tem sempre dois lados.

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E por vezes, lamentavelmente, o que percebemos é que o gestor público está preocupado tão somente com sua exposição; que seja ela positiva. Porém, sabemos também que, a informação de interesse público é um bem social que não pertence ao gestor público, que por sua vez tem a obrigação de prestar contas sim, de suas ações e mais, explicar à massa os motivos de suas atitudes.

Por fim gostaria de destacar a importância para o homem público em respeitar a autonomia do profissional da imprensa, principalmente em momentos de crise quando a tensão e os riscos são maiores, e assim as chances de se cometer erros, por parte do gestor público, também são maiores.

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O gestor público deve ter sim um bom relacionamento com a imprensa, pois ele tem a obrigação de prestar contas para a população, e, além disso, não vivemos mais na época da ‘Ditadura’, hoje a imprensa não tem por obrigação noticiar apenas o que o gestor público determina que seja noticiado. Os press releases bem formulados podem ser o mote para uma pauta, mas não a matéria. O release pode ser veiculado, porém, no meu entender trata-se apenas de um lado da história. É também uma forma de se manter um povo tolhido em seu direito de saber da verdade ou da informação completa. O jornalista vive a sua profissão no mais profundo significado da palavra.

Uma sociedade que valoriza e reconhece o trabalho da imprensa é uma sociedade melhor informada.

Isabel Torres

Jornalista

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