Desde o final do mês de fevereiro, já está em operação a primeira usina flex do Brasil. Instalada no município de Campos de Júlio, região Oeste de Mato Grosso, a Usimat Flex está produzindo etanol a partir da cana-de-açúcar e agora também a partir de milho. Na última sexta (16.03), o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, juntamente com o senador Blairo Maggi, o deputado federal Homero Pereira, o presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira, e as autoridades do município e região participaram de uma visita técnica às instalações da usina.

Com um investimento inicial de aproximadamente R$ 20 milhões nas adequações das instalações, a usina está produzindo de 120 a 150 mil litros de etanol de milho por dia, ainda em caráter experimental. A expectativa é aumentar esta produção gradativamente. O diretor da Usimat , Sérgio Barbieri, explica que a ideia surgiu a partir de conversas com a diretoria da Aprosoja e depois de vários estudos e viagens para conhecer projetos semelhantes chegou-se ao modelo da usina flex.

“Se fossemos fazer apenas uma usina de etanol de milho não seria viável, mas conjuntamente com a usina de álcool é perfeitamente possível, pois no Mato Grosso o período normal de colheita seria de abril a outubro. E a indústria ficava um período do ano ociosa, com o custo fixo muito alto. Agora vamos trabalhar durante o ano todo”, disse Barbieri.

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Para o delegado da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio, Ademir Rostirolla, a usina flex traz aos produtores de milho de Mato Grosso mais uma opção na hora de comercializar o cereal. “Cansamos de ouvir os produtores reclamarem dos baixos preços pagos ao milho, e até foi questionada a viabilidade da segunda safra no nosso estado em virtude da baixa remuneração. Dentro deste cenário, buscamos alternativas para a produção de milho nesta distância dos portos que estamos, sempre focando em obter meios de manter os preços estáveis e dar garantias aos agricultores”, destacou Rostirolla.

Além do etanol, os subprodutos gerados a partir da utilização do milho como, por exemplo, o DDGS – siga em inglês para o grão seco por destilação – pode ser usado como ração de animais, contornando os custos da usina. “Podemos fomentar a instalação de mais indústrias e confinamentos na região, pois além da produção de energia a ‘sobra’ do milho tem um valor proteico de cerca de 36%, sendo excelente alimento para animais de corte. Então, é um projeto que tem tudo para dar certo, viabilizando e agregando valor a produção de milho em Mato Grosso”, ressaltou o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro.

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Fávaro destacou ainda que para esta safra o estado tem previsão de colher quase 11 milhões de toneladas de milho e a utilização do cereal para a fabricação de etanol pode se mostrar uma opção na hora de manter os preços estáveis no mercado. “Nossa demanda interna é de algo em torno de 2 milhões de toneladas de milho, o restante é exportado com baixo valor agregado e não compensa os custos logísticos que temos em Mato Grosso para escoamento da safra. Com a Usimat Flex podemos diminuir o ‘passeio’ do cereal pelo país”, explicou o presidente da Aprosoja.

O senador Blairo Maggi que foi um dos entusiastas da ideia da usina flex ainda quando era governador do estado enalteceu a iniciativa da Aprosoja em buscar alternativas para a produção de milho em Mato Grosso. “Ainda quando eu era governador visitei algumas usinas de etanol de milho nos Estados Unidos e conversei com o Glauber Silveira, que era o presidente da Aprosoja na época, sobre a possibilidade de implantarmos algo semelhante no nosso estado e de lá pra cá a entidade se organizou, pesquisou e hoje vimos uma ideia sendo concretizada. E de forma mais econômica e até mesmo mais simples chegamos a usina flex, adaptada às nossas condições. Agora é ajustar o projeto, reduzir ainda mais os custos e quem sabe viabilizar para mais cidades de Mato Grosso e até mesmo do país”, afirmou o senador.

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Até 2014 a Usimat Flex espera operar em conjunto as plantas de fabricação de etanol de cana-de-açúcar e de milho.

 

 

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