Nos últimos 17 dias, a República foi sacudida por revelações da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que ligam o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede ilegal de jogos, a políticos de Goiás.

Depois do escândalo das gravações que mostraram a relação estreita do senador Demóstenes Torres (sem partido) com Cachoeira, o governador Marconi Perillo (PSDB) não tem dúvidas: “Numa hora como essa não dá para haver hipocrisia. Todos os políticos importantes de Goiás tiveram algum tipo de relação ou de encontro com o Carlos Ramos, como empresário e dono de indústria de medicamentos em Anápolis, que se relacionou durante muito tempo com várias personalidades da sociedade goiana”, disse Marconi ao Estado.

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Pegos nos grampos da PF em conversa com Cachoeira, sua chefe de gabinete Eliane Pinheiro, e o presidente do Detran, Edvaldo Cardoso, se demitiram na semana passada. O governador admite que conversou com Cachoeira, uma vez, por telefone, e que o recebeu, no palácio do governo, mas enfatiza que falaram de incentivos fiscais.

Recolhido em sua fazenda de Pirenópolis, o governador tucano contou que, até o estouro do escândalo, não tinha dúvida sobre “a correção” de Demóstenes Torres. Cachoeira está preso desde fevereiro em Mossoró (RN).

INVESTIGAÇÃO

Ministro José Eduardo Cardozo afirmou que vazamento de informações não aconteceu na PF

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (pt), defendeu a atuação da Polícia Federal (PF) na Operação Monte Carlo. Para ele, o vazamento de informações foi ruim, mas não ocorreu por parte da PF. “Apenas garanto que não houve vazamento nenhum da Polícia Federal no período em que esse processo estava com ela”, disse na Câmara dos Deputados.

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O ministro disse que a partir do momento em que o processo passou ser acessado por dezenas de advogados e de pessoas tornou-se “impossível controlar a situação”. Mas disse que “a Polícia Federal cumpriu rigorosamente o seu papel. Os fatos estão colocados sob a luz do sol nos autos. Caberá ver como os tribunais apreciarão esses fatos”.

Cardozo também disse que a PF cumpriu seu dever nas investigações que levaram à prisão o empresário Carlos Cachoeira, suspeito de explorar jogos ilegais. “Da parte da Polícia Federal posso afirmar que as decisões judiciais foram cumpridas rigorosamente”.

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