Com pouco mais de nove meses de trabalho na Câmara dos Deputados e mais recentemente tendo assumido a vice-presidência da Comissão de Agricultura, temos acompanhado de perto as questões ligadas ao setor que mais gera riquezas para o país, em especial a invasão estrangeira no campo.

Preocupa-nos a aquisição desenfreada de áreas, especialmente em Estados com forte vocação agrícola, como Mato Grosso, maior produtor de grãos do país. O motivo de tal invasão é que aos estrangeiros são dadas condições melhores que aos produtores brasileiros, cuja grande maioria está endivida; alguns vendem suas áreas e outros deixam o setor. O resultado disso será assistirmos a entrega da maior riqueza do Brasil, a terra, sendo explorada por estrangeiros.

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Dados de um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mostram que dos 903.357 quilômetros quadrados do território mato-grossense, 19,99% dele está na mão de pessoas físicas ou jurídicas de outros países. Quando tomamos por base os números a nível nacional, o cenário é ainda mais estarrecedor. Somadas todas as áreas, sejam de proprietários individuais ou empresas, a ocupação estrangeira se dá em 6% da área agricultável brasileira com crescimento diário de 1.200 hectares. O número parece baixo, mas equivale a 5,5 milhão de hectares nas mãos de pessoas de outros países. Das 33 mil propriedades nesta condição, 76,13% delas estão nos Estados de São Paulo, Bahia, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

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Japão e Itália lideram a compra de terras no Brasil com 23% e 7%, respectivamente. Os norte-americanos, argentinos e chineses detêm 1% do volume adquirido.

A luz de alerta há muito foi acesa.

As políticas, agrícola e ambiental somadas à falta de logística arrasam nosso produtor e dão oportunidade aos estrangeiros. Somos a favor da globalização. Queremos sim ter investimento externo, mas é preciso que o Governo não deixe proprietários e produtores reféns pelo simples fato de um produtor estrangeiro ter mais apoio do governo dele do que o nosso, de nossas autoridades. É certo que o estrangeiro trás sim alguns lucros para o Brasil, seja na compra do combustível, insumo, máquinas ou mesmo na contratação da mão de obra no plantio ou na colheita; porém, a atual política fundiária brasileira garante a ele os mesmos incentivos da Lei Kandir e assim, o grosso dos lucros irá embora para engordar o consumo de seu país; é o Brasil contra os brasileiros.

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