A Europa demonstrou preocupação nesta segunda-feira (23) ante o avanço da extrema-direita francesa, que registrou um resultado histórico na primeira volta das eleições presidenciais, confirmando assim uma tendência de vários países da região neste período de crise.

Para a chanceler alemã, Angela Merkel, “o avanço da FN (Frente Nacional) francesa, que mantém uma atividade muito eurocética, é preocupante”, conforme anunciou um porta-voz do governo em Berlim.

Em Luxemburgo, onde se celebrava uma reunião de ministros europeus de Relações Exteriores, os comentários foram fartos.

O responsável pela diplomacia de Luxemburgo, Jean Asselborn, acusou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de ser em parte responsável pelo êxito do FN, por sua decisão de fazer campanha sobre as fronteiras europeias, sobre o controle da imigração ou sobre as preferências dadas às empresas europeias.

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“Repete-se todos os dias que é preciso mudar o Acordo de Schengen (acordo europeu sobre circulação de pessoas e mercadorias), que é preciso ter uma política de imigração forte (…) isso significa alimentar a FN”, disse Asselborn, que é socialista.

O ministro dinamarquês de Relações Exteriores, Villy Sovndal, também socialista, cujo país ocupa a Presidência da UE (União Europeia) neste semestre, considerou que o resultado das eleições de domingo na França era “extremamente preocupante”.

“Estou nervoso por esse sentimento que vemos contra as sociedades abertas, contra uma Europa aberta. E esse não é apenas o caso da França”, afirmou, por sua vez, o ministro sueco de Relações Exteriores, Carl Bildt.

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Os SD (Democratas da Suécia), partido herdeiro de uma antiga formação neonazista, entraram recentemente no Parlamento. Na Holanda, o partido de ultradireita de Geert Wilders, com uma ideologia anti-muçulmana, conseguiu derrubar o governo de Mark Rutte, ao opor-se às medidas de austeridade de Bruxelas sobre uma redução do déficit público em seu país.

A extrema direita também é muito forte na Áustria, Finlândia, Dinamarca, Suíça ou Hungria.

Segundo o ministro austríaco de Relações Exteriores, Michael Spindelegger, o “impressionante” resultado de Marine Le Pen pede uma reflexão. Para o responsável da diplomacia belga, Didier Reynders, é preciso ficar atento aos passos da extrema-direita, que são “sempre um tema de nervosismo na Europa”.

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