O governo da Síria negou neste domingo ter tido qualquer responsabilidade no massacre em Hula, na província de Homs, onde morreram quase cem pessoas na última sexta-feira, entre elas mais de 30 crianças.

“Negamos de maneira absoluta a responsabilidade das forças governamentais no massacre de Hula”, afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Jihad Maqdisi, que culpou supostos grupos terroristas.

Segundo o regime sírio, centenas de homens armados abriram fogo com artilharia pesada contra “bases militares sírias” em Hula.

Os grupos “atacaram de maneira simultânea e planejada”, disse Maqdisi, que acrescentou que os disparos provocaram a morte de crianças e idosos, e que as forças sírias responderam à ofensiva para se defender.

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O porta-voz condenou a “facilidade” com a qual diversos países e organizações internacionais acusaram os efetivos governamentais pelo massacre.

“Esperamos que os países grandes se comportem como grandes e ajudem a Síria. Se querem o confronto, a Síria defenderá seu território”, enfatizou o porta-voz ministerial.

Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o massacre de Hula e pediu ao governo de Bashar al Assad o fim imediato do uso de armamento pesado contra a população, depois que fossem descobertos pelo menos 92 corpos, entre eles os de 32 crianças, nessa cidade da província de Homs.

Para estudar as circunstâncias dos fatos, o Ministério das Relações Exteriores sírio formou uma comissão que divulgará suas conclusões em três dias.

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Além disso, Maqdisi reiterou o compromisso de Damasco com o plano de paz de Annan, que estipula o fim da violência –entre outros pontos–, e destacou que a solução da crise é “totalmente política” e passa pelo desenvolvimento de um diálogo entre o governo e a oposição.

O porta-voz confirmou que o enviado internacional e ex-secretário-geral da ONU chegará amanhã à capital síria para avaliar a aplicação da iniciativa de paz.

De acordo com dados das Nações Unidas, desde março de 2011 mais de 10 mil pessoas morreram na Síria em episódios violentos como o da última sexta. Além disso, 230 mil pessoas tiveram que deixar seus lares, embora tenham permanecido no país, e mais de 60 mil buscaram refúgio em países limítrofes, como Turquia e Líbano.

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