Certa vez, o astrônomo norte americano Carl Sagan disse: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda”.
Em 2007, recém-saído do ensino médio e após muita pesquisa acerca das diversas profissões, decidi que queria ser Turismólogo. Turismólogo é o bacharel em turismo. Sua função é gerir o setor, atuando principalmente no planejamento, gestão, e coordenação de ações turísticas no setor público e privado.
O meu desejo, a princípio, era estudar em uma universidade federal. Entretanto, após pesquisar o curso de turismo em Cuiabá, descobri que a Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT não ofertava o curso. Existia apenas o Guia de Turismo, no CEFET (atual IFMT). Uma vergonha para um estado como o Mato Grosso, que possui um potencial turístico gigantesco nos mais diversos segmentos, mas ainda tem poucos profissionais qualificados para transformar esse potencial em produtos turísticos de modo sustentável. Claro, há outros fatores que influenciam isso, como a política e a cultura, mas a questão da educação é fundamental neste contexto.
Na semana passada, após quase dois anos de formação, fui à faculdade em busca do meu diploma. Após ser enviado de uma sala à outra, a secretária da instituição me informou que o meu diploma ainda não estava pronto. Disse a ela que eu precisava do diploma o quanto antes, pois havia sido aprovado em um concurso público. A resposta foi a seguinte: “não temos previsão de quando o documento ficará pronto”. A minha vontade foi de “baixar o nível” e “quebrar tudo”, mas respirei fundo, contei até dez e saí da sala. Quando estava no corredor da faculdade, um colega que há muito tempo eu não via, veio me cumprimentar. Ele me disse que estava trabalhando na faculdade, tentando fechar uma turma de pós-graduação em turismo e me convidou para participar. Respondi que no momento eu não tinha interesse em fazer uma pós, pois estava com outro foco. Percebendo a minha aflição, ele me perguntou o que havia acontecido. Contei que eu precisava do diploma e que segundo a secretária da faculdade, não há nem previsão de quando o documento ficará pronto. Então ele me disse: “aqui está assim mesmo. Desde quando eu comecei a estudar aqui já passaram três donos diferentes. Cada um com uma metodologia de trabalho e com uma forma de ver a faculdade. Os dois primeiros tiveram problemas. Foi uma confusão aqui, tanto que há alguns meses atrás foram de sala em sala pedindo para que não fizéssemos o pagamento da mensalidade no banco e sim direto na faculdade, em dinheiro, pois eles estavam com problemas e não estavam recebendo o dinheiro que ia para o banco (…) a nova direção está deixando tudo que era da direção anterior para trás, fazendo corpo mole. Agora que estou trabalhando aqui dentro sei como é. Sobre o diploma, na semana passada um colega que formou com você veio aqui e também não consegui pegá-lo. Porém, sei que há um esquema aqui, é só falar com (não vou revelar o nome da pessoa) e pagar R$ 160,00 para ela, que o diploma fica pronto rapidinho. É complicado pagar esse valor por um documento que é seu, por direito, mas como a sua necessidade é maior do que o interesse da faculdade em emiti-lo, talvez valha a pena fazer isso. Infelizmente é assim que as coisas estão funcionando por aqui.”.
Que situação! Eu que sempre busquei ser o mais ético possível, me vi diante de um problema que, sinceramente, ainda não sei como resolver. Tenho meus princípios, e procuro não utilizar o “jeitinho brasileiro”, mas após algumas horas refletindo acerca da situação, lembrei-me de uma frase que havia escutado há muito tempo: “sua opinião mudará quando você estiver do outro lodo”. Pois é, acho que talvez esteja na hora de eu parar de olhar para fora e começar a olhar para dentro, entender como o sistema funciona e dançar conforme a música. Será?!

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Edilberto Magalhães – Turismólogo, Produtor Cultural e Blogueiro – [email protected]

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