Presidente sul-africano, Jacob Zuma, fala na abertura do Congresso Nacional Africano (CNA) em Midrand, norte de Joanesburgo, na África do Sul   Foto: Siphiwe Sibeko / REUTERS

A economia sul-africana ainda está dominada pelos brancos, e o governo local precisa tomar mais medidas drásticas para assegurar que a maioria negra se beneficie da riqueza nacional, disse o presidente Jacob Zuma nesta terça-feira (26/06).

Em discurso no início de uma reunião do partido governista Congresso Nacional Africano (CNA), Zuma disse que, 18 anos depois do fim do regime de segregação racial apartheid, o país mais rico da África ainda enfrenta grandes desafios relacionados à pobreza, ao desemprego e à desigualdade.

“A estrutura econômica da era do apartheid continuou praticamente intacta”, disse Zuma a milhares de delegados. “A propriedade da economia ainda está primariamente nas mãos de homens brancos, como sempre foi.”

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O CNA redigiu vários documentos pedindo a mineradoras que contribuam mais com os gastos em bem-estar social, e para que as empresas estatais comandem o crescimento econômico e a geração de empregos.

“Chegou a hora de fazer algo mais drástico rumo à transformação econômica e à liberdade”, disse Zuma.

Mas alguns economistas alertam que seria perigoso depender demais das estatais, já que quase todas têm problemas de dívidas e má gestão.

Zuma disse também que o debate sobre a partilha dos lucros da mineração deveria ir além do simples “nacionalizar ou não nacionalizar”.

Um estudo patrocinado pelo CNA neste ano dizia que a nacionalização das minas poderia falir o Estado, mas que os lucros das mineradoras poderiam ser mais taxados.

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O presidente defendeu ainda um novo programa de reforma agrária, dizendo que o atual sistema de “compra consentida, venda consentida” tem demorado em restituir terras de brancos a negros que foram privados delas pelo apartheid. Zuma, no entanto, não citou mecanismos alternativos para a redistribuição fundiária.

Zuma acrescentou que as atuais políticas de estímulo econômico aos negros deveriam ser reforçadas, apesar de críticas de alguns setores do CNA e de aliados sindicais que entendem que os benefícios estão sendo concentrados numa pequena parcela de sul-africanos negros ligados ao partido, que governa a África do Sul desde o fim do regime de segregação racial, em 1994.

A conferência do CNA termina na sexta-feira (29/06), e suas deliberações estão sendo feitas a portas fechadas.

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