O relator da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que a convocação do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot não é fundamental nesse momento da investigação. Na avaliação de Cunha, o depoimento de Pagot não iria contribuir para o esclarecimento das relações do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal.

“Eu estou me baseando em fatos determinados. O meu objetivo é identificar quais foram as pessoas com prerrogativa de foro que o senhor Cachoeira teria cooptado. Não adianta pensar em uma investigação muito ampla, porque corremos o risco de não investigar nada. Ainda estou analisando essa convocação”, disse o relator, em entrevista à Agência Brasil.

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Hoje, Pagot disse que está à disposição da CPMI para prestar depoimento. Existem pelo menos nove requerimentos para a sua convocação que ainda não foram apreciados pelo plenário da CPMI. Alguns deputados e senadores querem que esses requerimentos sejam pautados na próxima reunião administrativa da comissão, marcada para quinta-feira (14).

O relator ponderou que a decisão de convocá-lo tem que ser analisada pela CPMI. “Essa é a minha opinião, mas a decisão de convocá-lo é uma decisão coletiva”, ponderou.

O depoimento de Pagot passou a ser considerado urgente por alguns integrantes da comissão, após ele ter denunciado o uso de verbas públicas para formação de caixa 2 de campanhas eleitorais em São Paulo. A denúncia foi feita em entrevista à revista IstoÉ, na qual ele se referiu a um suposto esquema de desvio de verba na obra do Rodoanel para as campanhas de José Serra à Presidência da República e de Geraldo Alckmin, ao governo paulista, em 2010.

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Pagot também disse, em entrevista à revista Época, que contrariou interesses do empresário Carlos Augusto Ramos e da Construtora Delta quando estava à frente do Dnit.

Na opinião do relator, Pagot seria útil à CPMI somente para obter detalhes sobre os movimentos de Cachoeira. Já em relação ao uso de verbas públicas nas campanhas paulistas, Odair Cunha é enfático: “Isso não é objeto de análise da CPMI”.

“Não estou dizendo que isso não deva ser investigado pelos órgãos competentes, pelo Ministério Público, pela Assembleia Legislativa, ou pelo próprio parlamento. Se quiserem, montem uma nova CPI”, defendeu o relator.

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