Pela primeira vez, a Arábia Saudita vai inscrever mulheres para disputar uma Olimpíada, nos Jogos de Londres deste ano, disse no domingo (24/06) a embaixada do país na Grã-Bretanha.

Entidades de direitos humanos vinham propondo a exclusão da Arábia Saudita dos Jogos por causa da sua recusa histórica em inscrever atletas mulheres e proibir as práticas esportivas femininas nas escolas públicas.

Na conservadora sociedade saudita, as mulheres estão privadas de vários outros direitos, como os de dirigir ou de trabalhar, viajar e abrir conta bancária sem uma companhia masculina.

Mas, sob o reinado do rei Abdullah, o governo tem oferecido melhores oportunidades de educação e trabalho, além de permitir que as mulheres votem em futuras eleições municipais — único tipo de votação realizada no reino.

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“O reino da Arábia Saudita deseja uma participação completa nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, por intermédio do Comitê Olímpico Saudita, que irá supervisionar a participação de atletas mulheres que puderem se qualificar para os Jogos”, disse nota divulgada no site da embaixada.

Em abril, autoridades já haviam dito que não impediriam as mulheres de competirem, mas que elas não teriam aval oficial do governo.

Mas, na noite de domingo, o chefe da missão olímpica saudita, Khalid al Dakheel, disse à Reuters que desconhecia qualquer novidade relativa à participação feminina.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) disse na segunda-feira (25/06) que continuava “trabalhando para assegurar a participação das mulheres sauditas nos Jogos de Londres”.

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Clérigos sunitas com grande influência no reino tradicionalmente se declaram contra as práticas esportivas femininas. Em 2009, um religioso graduado disse que meninas poderiam rasgar o hímen e perder a virgindade com a prática de esportes muito movimentados.

A amazona Dalma Malhas é talvez a mais forte candidata a representar o reino na Olimpíada de Londres. Em 2010, ela disputou a Olimpíada Juvenil de Cingapura, mas sem apoio nem reconhecimento oficiais.

A educação física é proibida nas escolas públicas femininas, mas a única vice-ministra do governo saudita, Noura al Fayez, já escreveu à entidade Human Rights Watch dizendo haver planos de incluí-la na grade curricular.

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