Foto: Inscrição Enem

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Costa, vão apresentar na tarde desta segunda-feira (30) o manual sobre as novas regras da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012. A prova será nos dias 3 e 4 de novembro para 5,7 milhões de candidatos. O Enem é utilizado por dezenas de instituições públicas e particulares para o acesso ao ensino superior, além de ser o critério usado pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) para a concessão de bolsas em instituições privadas.

De acordo com a assessoria de imprensa do Inep, a entrevista coletiva será realizada às 16h em Brasília. A partir deste horário, o manual será divulgado no site oficial do Enem 2012.

Ainda segundo a assessoria de imprensa, o MEC deve divulgar, nesta segunda, o lançamento de um edital para financiar pesquisas sobre metodologias e técnicas de avaliação sobre o Enem. O ministério deve investir R$ 2 milhões em projetos de universidades que queiram estudar novos métodos de correção das provas, que poderão ser incorporados ao exame no futuro.

A criação do manual foi anunciada por Mercadante em maio deste ano. Na ocasião, o ministro afirmou que o MEC decidiu criar “filtros mais precisos para avaliar” a redação. A partir da edição de 2012 do Enem, cada prova será corrigida por dois corretores independentes, que avaliarão cinco competências. Caso as notas dos dois corretores tenham uma diferença de até 200 pontos, a nota final será feita a partir de uma média aritmética das duas avaliações. Até o ano passado, a margem de dispersão era de 300 pontos (a nota final do Enem varia de 0 a 1.000).

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No entando, se a diferença da nota final entre dois avaliadores for maior que 200 pontos, haverá uma terceira correção. Se persistir a diferença, uma banca com outros três avaliadores vai corrigir a redação. A banca será composta de três avaliadores e coordenada por um professor doutor.

Para executar o novo sistema, Mercadante anunciou o aumento de 40% no quadro de avaliadores, de 3.000 para 4.200 a partir deste ano.

VEJA AS COMPETÊNCIAS DA REDAÇÃO DO ENEM

Competência I: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita
Competência II: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
Competência III: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência IV: Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação.
Competência V: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

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A redação deve cumprir cinco competências (veja ao lado), cada uma vale 200 pontos, para o total máximo de 1.000 pontos. Se em qualquer uma das cinco competências houver uma discrepência acima de 80 pontos nas duas notas, um terceiro corretor avaliará a prova. O processo já acontecia no ano passado, porém, a partir de 2012, a prova será encaminhada a uma banca certificadora caso, na terceira nota, também persista a dispersão.

De acordo com o ministro, o edital com as novas regras será publicado no “Diário Oficial da União” de sexta-feira (25).

“Para fazer todas as mudanças criamos comitê científico, discutimos intensamente para chegar a essas conclusões e estamos bastante preparados para enfrentar este grande desafio para fazer o Enem mais seguro e que dê tranquilidade para os jovens que vão participar desse processo”, disse o ministro da Educação.

Mercadante afirmou que o Ministério da Educação vai distribuir a todos os alunos um guia para a redação do Enem, com as regras de correção e exemplos de redações modelo. Segundo o ministro, o Enem se tornou uma “peça estruturante do sistema de ensino superior do Brasil, porque na realidade ele é o grande instrumento de avaliação do mérito e desempenho dos alunos”.

Sobre os candidatos terem acesso à correção da redação, Mercadante destacou que o MEC firmou um termo de ajustamento de conduta com a Justiça no final do ano passado, no qual ficou definido que os estudantes teriam acesso à prova. “Isso será mantido, o que estamos concluindo é a operacionalização. É uma operação complexa fazer com que cada aluno que solicite sua redação a receba onde ela deve chegar.”

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Ele creditou ao Enem o sucesso de programas como o Sistema de Seleção Unificado (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e o Ciência Sem Fronteiras, que utilizam o resultado do exame como principal critério de seleção dos estudantes.

Esse alunos “chegaram pelo mérito, o acesso foi o Enem, é uma conquista republicana”, disse Mercadante. “Estamos fazendo um refinamento do sistema para que a banca esteja sempre pronta a responder pelos casos de discrepância”, disse Luiz Cláudio Costa, presidente do Inep.

Segundo Costa, as mudanças são uma busca do Inep por “um sistema cada vez mais justo” para avaliar os candidatos “dentro da subjetividade da avaliação de um texto”.

A partir desta edição do Enem, os candidatos que fizeram a prova em busca da certificação do ensino médio terão de ter melhor desempenho. A pontuação mínima necessária subiu de 400 para 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento e 500 pontos na redação.

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