Alguns municípios do Rio Grande do Sul decidiram esta semana antecipar as férias escolares em razão do aumento do número de casos de influenza A (H1N1) – gripe suína.

Pelo menos nove cidades gaúchas suspenderam as aulas de suas redes municipais de ensino, e decretaram férias antes das datas originalmente previstas em calendário: Gravataí, Cruz Alta, Boa Vista do Cadeado, Santa Bárbara do Sul, São Borja, Quinze de Novembro, Pejuçara, Alecrim e Condor.

De acordo com o Ministério da Saúde, não há indicação para suspender atividades sociais ou aulas em razão da doença. “Isso [a suspensão] não se mostrou efetivo para reduzir a transmissão do [vírus] A H1N1 em 2009, servindo apenas para criar uma sensação de insegurança nas pessoas”, diz nota divulgada pelo ministério.

A secretária municipal de Educação de São Borja, Tânia Rocha, disse à Agência Brasil que as prefeituras têm autonomia para tomar a decisão de antecipar o início das férias. No caso de São Borja, as férias, que começariam apenas no dia 23, foram antecipadas para o último dia 9. “Tomamos essa decisão porque o clima já estava muito frio e úmido, os casos de gripe estavam aumentando e muitos alunos já estavam faltando às aulas”, explicou Tânia. “Se tudo correr bem, reiniciaremos as aulas normalmente no próximo dia 23.”

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Em algumas farmácias da Região Sul não há mais frascos de álcool em gel disponíveis para venda. Ao contrário do que ocorreu em 2009, porém, nenhuma autoridade estadual recomendou medidas extremas como a suspensão de atividades escolares ou de eventos públicos. O uso de máscaras, encontradas nas ruas com certa facilidade há três anos, também não tem sido comum em 2012.

“Suspender aulas, fechar espaços de uso público como cinemas e teatros são medidas pouco eficazes, porque não impedem a circulação do vírus, apenas podem reduzir a velocidade de sua transmissão”, explicou à Agência Brasil o médico infectologista Sérgio Penteado, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná. “O que é eficaz é manter uma alimentação saudável, ingerir líquidos, cuidar da imunidade e, no caso de sintomas de gripe, ter um diagnóstico rápido e o acesso à medicação adequada.”

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Entre as medidas preventivas adotadas por escolas da Região Sul estão o isolamento de bebedouros de uso coletivo, a disponibilização de dispensadores de álcool em gel, a distribuição de cartazes educativos e a orientação para que os ambientes de aula permaneçam mais ventilados.

“A situação atual é bem diferente da de 2009, quando a circulação do vírus H1N1 foi muito intensa e ninguém tinha imunidade a ele”, destacou Penteado. “A disponibilização do medicamento e o fato de as pessoas estarem mais atentas devido à cobertura da mídia têm um impacto significativo [na redução das mortes].”

Os três estados do Sul registram este ano 95 mortes de pacientes que contraíram o vírus Influenza H1N1. São 52 mortes em Santa Catarina, 29 no Rio Grande do Sul e 14 no Paraná. Na ano de 2009, auge da pandemia, a região registrou 789 mortes causadas pela doença.

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O ministério retirou o medicamento antiviral oseltamivir, conhecido pela marca Tamiflu, da lista de substâncias sujeitas a controle especial. O objetivo da medida é facilitar o acesso ao remédio, usado no tratamento da gripe, que passa a ser comercializado nas farmácias com receita médica simples, e não mais em duas vias. O antiviral também está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Lavar as mãos várias vezes ao dia, usar lenço descartável ao tossir e espirrar, evitar aglomerações e ambientes fechados são algumas das formas de prevenir a transmissão da doença.

Os médicos de todo o país estão orientados a prescrever o Tamiflu aos pacientes que apresentarem quadro de síndrome gripal, mesmo antes dos resultados de exames ou sinais de agravamento. A síndrome gripal se caracteriza pelo surgimento simultâneo de febre, tosse ou dor de garganta, somado à dor de cabeça, dor muscular ou nas articulações.

 

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