Um desastre levou um homem a superar os próprios limites. O ciclista amapaense Vinícius da Silva, de 26 anos, começou a rodar a América do Sul sobre duas rodas depois de perder a família em um naufrágio no rio Naquatiara, no Amazonas, em 1999. Ele conta que, 13 anos mais tarde, já percorreu 4 mil municípios brasileiros, além de passar por cidades da Argentina, Bolívia, Colômbia, Venezuela e Paraguai e Chile. No Rio Grande do Sul, Vinícius planeja partir para mais uma viagem internacional: em terras uruguaias. Quando voltar, ele terá uma meta ambiciosa: conhecer a presidente Dilma Rousseff em Brasília, viajar para os Estados Unidos e entrar para o Guinness, o Livro dos Recordes, como o ciclista que mais rodou no mundo.

Em Porto Alegre nesta quarta-feira (11), o ciclista conversou com o G1 sobre o passado triste, as dificuldades que enfrenta ao longo da jornada e os sonhos.

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Os percalços na vida de Vinícius começaram quando ele ainda era bebê. “Quando eu nasci, fui jogado fora, na porta da família que acabou me adotando. Eles contaram que me acharam dentro de uma caixa de papelão”, disse o ciclista que foi criado em Manaus, onde, aos 13 anos, perdeu toda a família adotiva em naufrágio. “Perdi pai, mãe, três irmãos, avô e avó”, contou.

Órfão pela segunda vez em 1999, Vinícius foi acolhido por vários manauaras, sendo um “filho de todo mundo”. Chegou a ficar também em orfanatos, de onde não tem boas lembranças. “Apanhei muito, sofri muito”, conta. No mesmo ano, o ainda menino contraiu uma meningite, mas se recuperou e optou por uma mudança radical na vida. “Comecei a viajar. Surgiu a ideia de ir para outros lugares”, contou.

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Ao longo do percurso, o cliclista aprendeu a superar obstáculos. Sem patrocínio, ele vive de doações que recebe nos lugares por onde passa. E nem sempre é possível arrecadar o suficiente para uma boa refeição. “Houve momentos em que passei fome por três, quatro dias, mas Deus alivia. Nunca cheguei ao ponto de desistir”, conta.

Durante do trajeto, o ciclista trocou 20 vezes de bicicleta. Algumas delas, por ter sido assaltado durante o caminho, o que ocorreu pelo menos duas vezes, nos estados de Alagoas e Maranhão. Graças a apelos em estações locais de rádio, Vinícius conseguiu novos veículos com dinheiro arrecadado em doações.

Os percalços não param por aí. Até mesmo uma onça já cruzou o caminho do ciclista. “Eu viajava pela Transamazônica. Só havia mato, e a bicicleta estragou. Era por volta das 18h e já estava escurecendo, então armei minha barraca para dormir. Durante a madrugada, vi uma sombra ao lado da barraca, e pensei que era um cachorro. Olhei melhor e vi que havia uma onça deitada, me protegendo”, conta.

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Por sorte, diz o ciclista, o animal não estava com fome. “Não abri a barraca e, pela manhã, ela havia ido embora. Só deixou o rastro”, acrescentou.

Vinícius pretende seguir pedalando até 2027. Depois, quer escrever um livro sobre suas aventuras pelo continente. Até lá, ele espera já ter ido até os Estados Unidos e ter o nome escrito no Guiness. “Vou até a Casa Branca, e vou cravar a bandeira do Brasil lá”, prometeu.

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