REUTERS/Humam Sarmini/Shaam News Network

A oposição da Síria diz que os Estados Unidos precisam superar seu medo de islamitas entre os rebeldes para derrubar o presidente Bashar al-Assad. Para isso, é preciso começar a armar o movimento de resistência para mostrar que o país quer a saída da elite política síria.

Os islamitas estão entre os mais intensos combatentes contra a liderança síria, disseram representantes da oposição, e Washington precisa saber que, embora esses rebeldes sejam muçulmanos conservadores, estão longe de serem como os militantes presentes no Afeganistão.

A frustração está crescendo sobre a relutância dos EUA em ceder armas aos rebeldes, que têm usado pequenos armamentos durante os 16 meses de revolta contra Assad e o aparelho governamental dominado por membros da minoria alauíta.

Temos beijado a mão dos EUA e do resto do mundo por 16 meses para que intervenham. Agora, após Assad não ter poupado ninguém na Síria, os Estados Unidos estão surpresos de que a Al Qaeda pode estar operando no país’, afirmou o oposicionista Fawaz al-Tello em Istambul.

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Líderes da oposição e comandantes do Exército Livre da Síria disseram que os rebeldes precisam de armas como mísseis portáteis para destruir os tanques e derrubar helicópteros que Assad está usando contra a revolta. Washington poderia abastecer setores do movimento rebelde que são mais próximos de seus ideais.

‘Os EUA têm serviços de inteligência no solo e, gerenciando-os, podem canalizar armas para as pessoas certas. Primeiro, eles precisam dar um claro sinal de que realmente querem o fim do estado autoritário dominado pelos alauítas na Síria, e não apenas a saída de Bashar’, afirmou Tello.

As potências mundiais chegaram neste sábado a um acordo de que um governo sírio de transição deve ser estabelecido para encerrar o conflito que já matou mais de 10 mil pessoas, mas permaneceram em desacordo sobre qual seria o papel de Assad.

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‘Até agora, os EUA forneceram quase nulas quantidades de armas “não letais’, como rádios comunicadores, pela fronteira do Líbano, diz a oposição. Autoridades deixaram claro que Washington se opõe a armar os rebeldes, porque eles ainda não possuem um comando unificado e devido a preocupações de que armas poderosas possam cair nas mãos de islamitas.

Mohaimen al-Rumaid, um membro do Fronte Rebelde Sírio, afirmou que Washington não está reconhecendo que os rebeldes islamitas do país são diferentes dos Talibans que combatem as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, e que não são antiamericanos.

‘Os norte-americanos não perceberam o fato de que os elementos islamitas estão entre os mais efetivos combatentes na Síria e que não são militantes ou jihadistas como os afegãos. Os sírios sempre foram muçulmanos conservadores, mas não militantes’, afirmou.

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Autoridades da inteligência norte-americana afirmaram que armas abastecidas por simpatizantes na Arábia Saudita e no Catar estão cruzando a fronteira libanesa e chegando aos rebeldes. São em sua maioria armamentos pequenos, como fuzis AK-47 e algumas munições antitanques e lançadores de granada.

Sameh al-Hamwi, um importante ativista com base na fronteira da Síria com a Turquia, afirmou que alguns grupos rebeldes estão adotando slogans islamitas e fazendo vídeos ao estilo jihadista. Entretanto, eles tinham o objetivo de agradar os financiadores no Golfo Pérsico, e ele negou que o Islã político esteja enraizado na resistência a Assad.

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