O lixo produzido pela população indígena de Rondonópolis que mora nas Aldeias Tadarimana, Praião, Pobore e Jurique começou a ser recolhido. Como havia uma quantidade considerável de lixo acumulado no local, já que os indígenas não contavam com a coleta, a primeira etapa do trabalho foi recolher esse material e levar para a reciclagem.

Cerca de 500 quilos de material reciclável, como garrafas pet, objetos de plásticos e latinhas, foram aproveitados e enviados por um caminhão do Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis (Sanear) para uma das sedes do projeto União Cidadã: Recicla Rondonópolis, realizado pela Associação Kobra, no Jardim das Flores. No local, os objetos são reaproveitados para a confecção de produtos artesanais e o que sobra é enviado para a reciclagem.

Durante a coleta do lixo, que ocorreu na aldeia Tadarimana, na última sexta-feira (13), os indígenas ajudaram na separação e aprenderam com o catador José Francisco da Silva, que faz parte do projeto de reciclagem do Kobra, a maneira correta de colocar os materiais que podem ser reciclados nas bags – sacolas feita de lona que suportam até 80 quilos – para então serem recolhidos pelo Sanear e enviados para o projeto. Nesta primeira etapa, o que não pôde ser reaproveitado, devido ao tempo de armazenamento, foi levado para o Lixão Municipal de Rondonópolis.

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A coleta seletiva na Aldeia Tadarimana e nas aldeias próximas vai ser realizada pelos próprios indígenas. Eles vão receber as bags para armazenar o material reciclável e durante todo o mês, vão separar o lixo orgânico do seco. Uma vez por mês, o Sanear vai recolher o material reciclável e enviar para o projeto do Kobra. Já o lixo orgânico será aproveitado para adubar a terra.

Para o cacique da aldeia Tadarimana, Cícero Kudoropa, o serviço está sendo de extrema importância para a população indígena da região. “Antes não tínhamos onde jogar nosso lixo, às vezes a gente enterrava, outras vezes colocávamos fogo. Agora vai ficar bem melhor”, disse. A Tadarimana, que é a principal aldeia da região, abriga hoje cerca de 500 indígenas, que produzem até três toneladas de lixo por mês.

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Segundo a voluntária do Kobra, Ana Paula Beer, o projeto União Cidadã: Recicla Rondonópolis recebe cerca de seis toneladas de lixo reciclável mensalmente. “Hoje, as pessoas que trabalham com a separação desse lixo recebem pelo trabalho que fazem. Tudo que é vendido para os sucateiros ou reciclado é remetido em uma ajuda de custo para esses trabalhadores do projeto. A expectativa deles é que possam se organizar em uma cooperativa em breve”, explicou.

De acordo com o chefe de resíduos sólidos do Sanear, Marcelo Spani, o recolhimento do lixo na área indígena não vai ter custos adicionais para a autarquia, já que vai ser um serviço prestado pelo próprio Sanear. O custo será apenas com o combustível para chegar à área indígena, que fica a cerca de 50 quilômetros de Rondonópolis. Marcelo destaca também a parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, na pessoa do Secretário Almir Araújo, que esteve na aldeia acompanhando os trabalhos.

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