Nas proximidades das duas rodovias bloqueadas pelos indígenas em Mato Grosso, os caminhoneiros lotam os postos de combustíveis. Sem opções de desvios para seguirem viagem, os profissionais do transporte de cargas  utilizarão os postos como paradas até que o desbloqueio das BRs 364 e 174 ocorra.

No início da manhã, no posto Aldo, na BR-364, saída para Rondonópolis, por exemplo, o pátio do estabelecimento chegou a receber 500 caminhões, ficando difícil até para os caminhoneiros realizarem manobras. Poucos conseguem sair, não há mais espaço para outros veículos.

Nos demais postos localizados na BR-364, a situação é a mesma. Como falta espaço no pátio dos postos, os motoristas estacionam seus veículos também nas margens das rodovias.

O casal Antônio e Eva Felippin deveria estar na metade do caminho rumo ao Rio Grande do Sul, mas, devido ao bloqueio, interrompeu a viagem e aguarda no posto desde a manhã desta segunda-feira (27). “Nos postos encontramos comida, segurança e banheiro. No Brasil só conheço duas paradas e ficam muito longe daqui, por isso procuramos os postos”, disse o caminhoneiro Antônio.

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Marcos Fantin e Alexsandro Stechamaee também conseguiram estacionar os caminhões nos postos. “Esta é a opção que nós temos. É muito complicado ficar nas rodovias sem água, comida e banheiro. Esperamos que esta questão dos índios se resolva logo, pois os caminhoneiros estão perdendo dinheiro. Os transportadores trabalham por comissão, não ganham diária”, reclamou Fantin.

Assim como o casal Felippin, Alexsandro precisa levar carga para o Sul do país. Antes da paralisação, ele previa chegar ao seu destino e entregar o frete no fim de semana, o que agora deve acontecer entre segunda e terça-feira, isto se o bloqueio não se estender muito.

Para o empresário e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo), Aldo Locatelli, “a continuidade da paralisação pode gerar até mesmo a falta de produtos, inclusive de combustíveis, em alguns municípios”. “Há muitos caminhões-tanques que precisam entregar carga em Rondonópolis, mas ainda não conseguiram ultrapassar o bloqueio”, pontua Locatelli.

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O protesto

Em Mato Grosso, o trânsito foi interrompido por centenas de índios em dois trechos: na BR-364, no km 360, próximo a Serra de São Vicente. O segundo ponto bloqueado está localizado na BR-174, no município de Comodoro, localizado a 677 quilômetros de Cuiabá, próximo à divisa de Mato Grosso com o estado de Rondônia.

Os indígenas reivindicam a suspensão da Portaria 303, da Advocacia Geral da União (AGU), que entra em vigor no dia 24 de setembro. O documento regulamenta a atuação dos advogados públicos e procuradores em processos judiciais envolvendo a demarcação e o uso de terras indígenas.

Nesta quarta-feira, dia 29, em Brasília (DF), deve ocorrer uma reunião entre representantes dos índios, da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Ministério da Justiça e da Advocacia Geral da União para discutir o assunto. Os índios prometem manter a interrupção das rodovias até que a revogação da portaria ocorra.

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