Foto: National Post

Nos tempos de criança, Usain Bolt costumava acreditar em fantasmas. Tinha medo deles. Mal sabia que quando crescesse seria uma espécie de assombração para seus adversários. Alguns falavam aos quatro ventos que o recordista mundial já não era mais o mesmo. Tinha queimado a largada na final do Mundial de Daegu no ano passado, sofria com dores musculares e na coluna, tinha perdido para Yohan Blake nas seletivas jamaicanas. Ele ouviu e esperou. Neste domingo, no Estádio Olímpico de Londres, Bolt voou mais uma vez, sobrou mais uma vez na turma. Apenas ele e o americano Carl Lewis conquistaram dois títulos seguidos nesta prova. O bicampeonato veio acompanhado da quebra de seu próprio recorde olímpico: 9s63 (a marca anterior era 9s69). Em agradecimento, se ajoelhou e beijou a pista.

“Muitas pessoas duvidaram de mim. Muita gente estava dizendo que eu não ia ganhar, que eu não parecia bem. Houve muita conversa. Mas mostrei que sou o número 1, que ainda sou o melhor. Dei mais um passo para me tornar uma lenda. Ainda faltam os 200m. A seletiva jamaicana me acordou. Yohan bateu na minha porta e disse: “Usain, acorda! Este é um ano olímpico”. Nunca vou dizer que sou uma lenda antes dos 200m” – afirmou.

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Blake, que estava invicto durante toda a temporada, e o americano Justin Gatlin se esforçaram para impedir a façanha de Bolt. Fizeram os melhores tempos de suas vidas – 9s75 e 9s79, respectivamente -, mas nem isso foi suficiente para frear o homem mais rápido do mundo. Tiveram que se contentar com as medalhas de prata e de bronze. Medalha de ouro em Atenas 2004 e flagrado no doping dois anos depois, Gatlin resumiu o que foi a prova.

“Eu fiz o melhor que podia” – disse.

Enquanto isso, o bicampeão dava uma interminável volta olímpica empurrado pelos gritos de “Usain, Usain” que vinham da arquibancada. Numa parte dela, Kobe Bryant, Kevin Durant & Cia. reviam a prova que gravaram em seus celulares. Comentavam o show que o velocista tinha dado e vibravam com as brincadeiras e a cambalhota que Bolt deu enquanto comemorava o feito. Mais em cima, os príncipes William e Harry também não tiravam os olhos dele.

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A explosão era a de quem tinha passado momentos de preocupação. Embora não quisesse deixar transparecer, Bolt admitiu que estava preocupado com a saída  do bloco. Resolveu seguir a orientação do técnico e tentar esquecer isso. Foi para a raia, imitou um DJ durante a apresentação e correu por música. Apesar de ter largado atrás de Blake, Gatlin e Tyson Gay, não demorou a reagir. Como de costume, atropelou os rivais com o segundo melhor tempo da história. O primeiro (9s58) está em seu poder desde 2009.

“Eu estava preocupado com meu início porque não tenho o melhor tempo de reação, mas consegui e essa é a chave. Meu técnico me disse para eu parar de me preocupar com o início e me concentrar no final” – lembrou.

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Deu certo. Assim como para a compatriota Shelly-Ann Fraser-Pryce, que na véspera venceu os 100m e também tornou-se bicampeã olímpica. Ela conquistou o ouro com o tempo de 10s75, três centésimos abaixo do tempo registrado em Pequim. A prata foi para a americana Carmelita Jeter e o bronze ficou com a também jamaicana Veronica Campbell-Brown.

Nesta terça-feira, Usain Bolt voltará à pista para as eliminatórias dos 200m. Em sua prova favorita, o objetivo será o mesmo: tentar mais um bicampeonato.

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