Os acidentes de trânsito estão matando em um ritmo assustador. Isso é uma realidade. Os números apresentados em cada relatório ou boletim noticioso nos amedrontam.

A cada ano, o número de veículos que entram em circulação aumenta consideravelmente. O número de novos condutores que assumem a direção dos veículos também aumenta. A malha viária apresenta os seus problemas e a fiscalização continua deficitária. O que fazer então?

Campanhas Educativas? Mais rigor na fiscalização? Mais câmeras ou controladores nas vias públicas? Tudo isso ajuda e contribui para que haja menos acidentes de trânsito. Mas, na verdade o que precisamos é de uma mudança de comportamento. É necessário entender que precisamos fazer o que é certo, não porque somos fiscalizados, mas porque é certo. Não é preciso que o “olho do Estado” esteja sobre mim para que eu faça o que é certo, mas o farei por uma questão de cidadania e de respeito ao próximo. Isso tem que estar impregnado em nossas mentes.

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Provérbios 22:6 diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” Entendemos que esse é o caminho. Queremos isso, e como queremos! Mas não nos deixam fazê-lo, ou pelo menos, não nos ajudam a fazê-lo.

Projetos que promovem a Educação para o Trânsito com crianças e adolescentes nem sempre são bem vindos ou bem vistos. Os governos não dispõem de recursos para esses projetos, ou se dispõem, não os destinam a esse público. Afinal, esse público não vota, então não interessa a eles. As grandes empresas não nos recebem. Seus gestores não perdem seu precioso tempo para nos ouvir. Quando o fazem, mandam alguém que nada decide, apenas para não serem totalmente deselegantes. Acham que estamos “pedindo dinheiro” para mais alguma coisa. Eles preferem ver suas “marcas” associadas aos grandes eventos, onde têm luzes, gente bonita e famosa, agito e álcool. O que mais importa é o momento em que o flash é disparado. Pouco importa se ao final alguém vai morrer vítima da imprudência de um outro alguém embriagado. Um alguém qualquer não me interessa, desde que esse alguém, não seja alguém meu. É só um número a mais. Ou a menos.

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Enquanto isso, dezenas de vezes por dia, pais, filhos, esposas e outros entes são despertados por telefonemas aterrorizantes anunciando que mais uma vida se foi. E para esse ente, esse alguém faz toda a diferença. E sabe quando isso vai fazer a diferença para cada um de nós? Quando for alguém nosso.

Eu quero falar dos perigos no Trânsito para nossas crianças. Eu preciso, desesperadamente. Não por mim, eu os conheço, mas pelas nossas crianças, pelos meus filhos, pelos nossos filhos querido leitor. Mas não me ouvem. Os prefeitos sequer nos recebem. Os secretários dizem que vão analisar e nos retornarão, e nunca retornam. O presidente diz que não tem recursos, que está dando saltos para conseguir fazer alguma coisa. O empresário não para para nos ouvir e os veículos de Comunicação? Só quando morre algum dos seus. É melhor ficar “de olho” na audiência senão “dança”. Ninguém para, ninguém ouve, poucos querem discutir o problema.

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Enquanto isso os telefonemas continuam informando tragédias e os números que tanto me incomodam não despertam a atenção de muitos e só o farão quando neles estiver incluída a vida de um dos seus.

Quanto a mim, continuarei gritando na tentativa de que os homens nos ouçam e, na medida do possível, direi às nossas crianças: não tenham medo! Também direi a elas que é possível sonhar com um trânsito melhor e com menos acidentes e que elas podem nos ajudar a promovê-lo, aprendendo e fazendo o que é certo, não porque serão fiscalizadas, mas porque é certo e por amor à Vida.

 

Vanderlei Munhoz

Policial Rodoviário Federal

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